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O novo aeroporto "não pode ser debatido de forma isolada relativamente à ferrovia"

No debate quinzenal, Catarina Martins criticou a forma como o aeroporto de Lisboa está a ser debatido, “de forma isolada”, sem que se debata uma solução de mobilidade para o país, interligada com a ferrovia.
Fotografia de Paula Nunes
Fotografia de Paula Nunes

“Um dos maiores problemas do novo aeroporto de Lisboa é estarmos a debatê-lo de forma isolada, porque "estamos a debater com o privado e não estamos a debater uma solução de mobilidade para o país, interligada com ferrovia”, começou por afirmar a coordenadora do Bloco. Segundo a mesma, “estamos reféns dos interesses da VINCI, que se entregou à ANA”.

Assim, Catarina Martins considera que “o que o governo propõe é assustador”: quer oferecer o aeroporto militar do Montijo, público, aos privados, que já têm a concessão e que eram obrigados, pelo contrato de concessão, a fazer um novo”. Assim, agora “não fazem um novo aeroporto, ficam com um público”, num ato de “investimento zero do Estado, poucochinho do privado, com risco absoluto para o público, para a saúde, para o ambiente, para a mobilidade e lucro máximo para o privado, que faz esta coisa extraordinária de aliar ao negócio do novo aeroporto que lhe é oferecido o aumento do negócio já milionário da PPP da Lusoponte em que a VINCI já estava mesmo antes de comprar a ANA, e que é só uma das PPP mais ruinosas do país”.

“Como se não bastasse”, continua a coordenadora do Bloco, “o primeiro-ministro anuncia o negócio sem estudo de impacto ambiental e vem dizer que respeita o estudo do impacto ambiental, que ainda não conhece, faz o negócio e não tem plano b”. “E se o estudo de impacto ambiental chumbar o projeto, que é que o governo vai fazer?”, pergunta Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco afirma que “a privatização da ANA” e que esta decisão agrava o erro, deixando-nos “completamente nas mãos da VINCI, por fazer o frente à empresa privada e porque não se quer fazer investimento público para conseguir irresponsáveis metas de défice”. “Esta é a solução que mais agrada aos privados e que não exige nenhum investimento público do estado”, afirmou.

“Não é verdade que o Montijo seja a única opçãomas é verdade que a única opção para o processo ser sério era ter mais do que uma opção e não colocar o Montijo como uma chantagem sobre tudo, até sobre o estudo sobre o impacto ambiental”, disse a coordenadora do Bloco ao primeiro-ministro.

Catarina Martins considera que a ausência de investimento público é um problema e que a ferrovia é uma prioridade para o Bloco. Assim, sobre ligaçõs ferroviárias de coesão territorial, perguntou ao primeiro-ministro como podia explicar que o plano de governo excluísse a ligação da linha de Beja à ligação do sul”.

“Porque é que não há um plano ferroviário que verdadeiramente pense o território?”, quis saber. “Voltamos a não ver esse investimento público, decisivo, no território, no programa que o governo agora apresenta”, afirmou.

 

“Recuperar o SNS significa parar a sangria de recursos públicos para o setor privado da saúde”

De acordo com a coordenadora do Bloco, identificam-se três grandes problemas no Sistema Nacional de Saúde: a suborçamentação, que cria dificuldades ao seu trabalho, a falta de um regime de carreiras que respeite a especialização crescente e a exigência crescente dos seus profissionais e a sangria de dinheiros públicos para o setor privado da saúde.

Catarina afirmou que “para nenhum destes problemas a direita tem resposta e ainda não apresentou nenhuma proposta a não ser voltar sempre ao passado, repetir em dobro os erros do passado”.

Recordando que faz agora um ano que António Arnaut e João Semedo apresentaram a sua proposta para uma lei de bases da saúde que pudesse salvar o SNS, a coordenadora do Bloco afirmou que o partido “regista que o governo fez alguns avanços e de uma proposta inicial com grande presença inicial parece ter agora uma proposta que salvaguarda mais o espaço específico, a importância e os recursos do SNS”.

“Esperemos que na especialidade possamos desambiguar o que está agora ambíguo na proposta de lei do governo”, rematou.

 

Propinas: "que no próximo Orçamento do Estado haja uma nova redução de 212 euros"

A coordenadora do Bloco, lembrando que, neste Orçamento do Estado, houve uma redução de 212 euros nas propinas, considera que “alguém que tenha um projeto de futuro para o país precisa de qualificações e precisamos de perceber quais são os entraves ao Ensino Superior.”

Após a redução de propinas já realizada, Catarina Martins, que considera que a qualificação tem de ser uma aposta no país, quer que no próximo Orçamento do Estado haja uma nova redução de 212 euros. “Se o fizermos”, afirma, “numa legislatura acabamos com as propinas”.

A coordenadora do Bloco considera que “a justiça social se faz por impostos, quem ganha mais paga mais, quem ganha menos paga menos” e que “no acesso ao ensino e à qualificação, temos de ser todos iguais”.

 

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