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“O nosso lado é convosco. É ao vosso lado.”

Marisa Matias afirmou, no encerramento da campanha europeia em Coimbra, que esta foi uma campanha feita ouvindo as pessoas e os seus problemas concretos e sublinhou que, “contra todas as probabilidades”, o Bloco conseguiu introduzir temas europeus nesta campanha. “No domingo votem ao vosso lado”, apelou.
Marisa Matias no comício de encerramento em Coimbra, Europeias 2019. Foto de Paula Nunes.

Foi em Coimbra o encerramento da campanha do Bloco às europeias. Marisa, já quase sem voz, congratulou todos os que ajudaram a construir esta campanha em que, “contra todas as probabilidades” conseguiram “introduzir temas europeus” e “falar de alterações climáticas, da injustiça fiscal, desse sistema que se está a criar para privatizar a segurança social pública, dos direitos laborais, da saúde pública, dos serviços públicos, da mobilidade, de tudo aquilo que está a ser atacado por Bruxelas”.

Para Marisa Matias, “não importa fazer campanhas se é para nos ouvirmos uns aos outros e não ouvir as pessoas e não falar daquilo que é o que nos traz a elas”, e isso, sublinhou, foi o que o Bloco fez a cada um dos dias. Segundo Marisa, “no próximo domingo as pessoas vão decidir o essencial da sua vida”: “uma política para a criação de emprego com direitos ou a continuação da precariedade”, justiça fiscal ou a continuação de uma política que “vai continuar a beneficiar a fraude e a evasão fiscal, permitir que quem tudo tem, possa esconder em todo o lado, com toda a opacidade”, um verdadeiro “combate às alterações climáticas ou continuar a financiar o negócio dos combustíveis fosseis e da ausência de planeta comum”.

Sinto que estas eleições podem mesmo ser o início da alteração do mapa político à esquerda em Portugal

A primeira candidata do Bloco nestas europeias notou que “apesar de toda a divisão e toda a desunião que tantos candidatos trouxeram a estas eleições e a esta campanha, quando nos procuraram dividir, nós falámos de união porque nós temos um projeto de união para a União”.

“Aquilo que une as pessoas é aquilo que nós temos de melhor: é a justiça, é a solidariedade, é o respeito, é a dignidade, é o trabalho com direitos, são os serviços públicos de qualidade, são os salários decentes, são as pensões que as pessoas merecem depois de uma vida inteira” enunciou.

Marisa Matias destacou que esta foi uma campanha que foi crescendo todos os dias porque “não fechámos os ouvidos aos problemas que persistem e que as pessoas fizeram questão de trazer até nós porque é para isso que lá estamos” e disse sentir que "estas eleições podem mesmo ser o início da alteração do mapa político à esquerda em Portugal”.

“No domingo, quando formos votar, as escolhas estão todas em cima da mesa”, prosseguiu Marisa, reiterando o compromisso assumido pelo Bloco “que mesmo em território difícil, conseguiu melhorar a vida das pessoas”. “Conseguimos e continuaremos a conseguir, com toda a força que nos derem”, “nunca nos enganamos do lado em que estamos. E o nosso lado é convosco. É ao vosso lado. Por isso, o que vos peço, é que no domingo votem ao vosso lado”, concretizou, numa intervenção com terminou com todos os candidatos e candidatas presentes, no palco ao lado de Marisa.

Entre agradecimentos a toda a equipa que tornou possível a campanha, deixou uma palavra aos jornalistas: “É sempre bom quando nós vemos o que se passou pelos olhos de outros e de outras. É duplamente bom quando esse trabalho é rigoroso e bem feito. Em tempos em que as notícias falsas e o falso jornalismo inundam as nossas vidas, o jornalismo rigoroso é mesmo dos bens mais preciosos para defender a democracia. Obrigada!”

Catarina Martins: "Que ninguém fique em casa. É agora que transformamos as nossas vidas"

Catarina Martins saudou a "enorme campanha", que "tem vindo a crescer" ao abordar "cada uma das questões concretas e apresentar soluções para melhorar a vida no nosso país", como o emprego, a saúde, o Estado Social, o clima, ou os transportes. Para a porta-voz do Bloco, a campanha passou a mensagem da importância do emprego com direitos, contra quem quer fazer do país um "repositório de mão de obra barata". Apontou também contra o "apetite desmesurado do sistema financeiro" e os ataques que este prepara contra "o que é de todos e é preciso defender". Na saúde, que "outros partidos não têm vontade de discutir", sublinhou a importância do SNS público capaz de dar resposta a toda a gente, sem olhar ao local onde se encontra, "ao seu apelido ou à sua carteira". "Não é coisa pouca", afirmou, pois "há quem na Europa defenda a privatização da saúde".

Nas pensões, Catarina lembrou que foi Marisa e o Bloco quem trouxe para a campanha "o projeto da UE de enviar as pensões para o sistema financeiro" que "só sabe gerar crises", ao defender sistemas de capitalização privados. "Haverá algo mais perigoso", questionou, "que entregar as pensões a Ricardo Salgado ou Joe Berardo?". No investimento, onde outros partidos diziam ser preciso conseguir mais dinheiro da Europa, Marisa conseguiu "por o dedo na ferida" ao afirmar que o realmente necessário é "vetar um Orçamento europeu que retire fundos à coesão e às regiões mais pobres", e ao ter feito como deputada o relatório que impediu o Tratado Orçamental de se tornar direito comunitário, com as suas restrições ao investimento público. Catarina lembrou também a importância na campanha da emergência climática, o "maior desafio do nosso tempo", que "não pode ficar para amanhã" nem para "medidas simbólicas", e que exige "uma enorme transformação dos modos de produção", na energia, nos transportes, na economia. O plano ferroviário com que o Bloco começou a campanha em Bragança é um exemplo de uma medida capaz de criar emprego e responder à emergência climática.

"Sabem com o que contam", afirmou Catarina Martins: "nunca ouvirão o Bloco dizer que não se pode aumentar o salário mínimo, ou proteger as pensões, ou investir para criar emprego, ou ter ferrovia, porque Bruxelas não deixa". Os eleitos do Bloco na Europa não servem para "dizer o que Bruxelas nos deixa ou não deixa fazer", mas sim "para defender o país na UE, defender quem vive do seu trabalho, o Estado Social, a saúde, a educação, os tranportes". Catarina defendeu um plano europeu para uma economia que ponha a tecnologia e inovação ao serviço do pleno emprego, em vez de mais precariedade e desigualdades, "para vivermos melhor, para trabalharmos menos horas, para nos reformarmos mais cedo". O voto no Bloco, concluiu, "é um voto para puxar o país para cima, para não deixar ninguém para trás, para melhorar a vida dos de baixo", e para "combater o ressentimento e o transformar em solidariedade". E terminou com um apelo até Domingo: "Que ninguém fique em casa. É agora que transformamos as nossas vidas".

José Manuel Pureza: Marisa Matias esteve “à altura da exigência de combater a abstenção”

O deputado bloquista acusou PSD, PS e CDS de terem tido, nesta campanha, um discurso que beneficia a abstenção e lembrou que “a extrema direita agradece sempre a quem faz aumentar a abstenção”. No entanto, sublinhou que Marisa Matias esteve à altura da exigência desse combate devido à sua teimosia “em não ceder um palmo que fosse à campanha de quem quis fazer favores à abstenção”, uma teimosia que foi “a marca de campanha do Bloco”. No Bloco “somos teimosos pela democracia, pelos direitos dos de baixo, na luta contra os poderosos e contra a economia de casino, somos teimosos em estar lado a lado com quem se ergue para defender o que é de todos”, continuou.

Mas as críticas estenderam-se também a quem se quer aliar “com os liberais para combater a extrema direita” numa aliança que a campanha do Bloco provou ser tudo menos progressista. Segundo José Manuel Pureza “as políticas liberais são as maiores aliadas da extrema-direita” e o Bloco “repudia sempre, sem hesitações, as políticas liberais que geram pobreza, que geram precariedade, que geram o desespero de que se alimenta a extrema-direita”.

Reveja aqui o comício na íntegra:

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