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“O método Amazon”: Como a multinacional foge aos impostos

O grupo da Esquerda no Parlamento Europeu divulgou esta sexta-feira um novo estudo sobre a estratégia da Amazon para não pagar impostos com a ajuda das autoridades do Luxemburgo.
Capa do estudo.
Foto The Left

"No meio de uma pandemia de custos elevados, é mais importante que nunca fazer justiça fiscal e equidade a nível mundial. Não podemos suportar os abusos fiscais das multinacionais. Os vigaristas como a Amazon têm de pagar a sua quota-parte aos contribuintes que andam a enganar há anos", disse Martin Schirdewan MEP, Co-Presidente da Esquerda, na apresentação do estudo “O Método Amazon: Como Tirar Vantagem do Sistema Internacional dos Estados para Evitar Pagar Impostos”.

Os autores do estudo investigaram o “Esquema de Arbitragem de Créditos Fiscais” da Amazon e identificaram o Luxemburgo como o centro de uma operação global de fuga aos impostos. Através das suas subsidiárias ali sedeadas, a multinacional declara prejuízos operacionais colossais dos seus negócios fora dos Estados Unidos. E isso permite-lhe depois recuperar impostos em créditos fiscais norte-americanos, tornando na prática a Amazon quase isenta de tributação sobre os lucros. O total destes créditos fiscais diferidos ascendia em 2020 a 13.4 mil milhões de dólares.

Esses créditos fiscais em 2020 são superiores ao total dos impostos devidos pela empresa desde a sua fundação (11.71 mil milhões de dólares). Desde 2011, a Amazon teve mais lucros não taxados do que a quantidade total de impostos que realmente pagou. Mas o método usado para ofuscar este planeamento fiscal agressivo torna “quase impossível ao grande público perceber ao certo quanto imposto sobre o lucro é realmente pago” pela multinacional, refere Martin Schirdewan.

“Uma coisa é certa: a Amazon não é seguramente a única grande empresa internacional a usar métodos destes”, pelo que o estudo agora apresentado pode ajudar a perceber melhor as estratégias fiscais destas multinacionais, prosseguiu o co-líder do grupo parlamentar que integra o Bloco de Esquerda e o PCP no Parlamento Europeu.

Schirdewan acrescentou que “precisamos de um imposto digital sobre os lucros das grandes corporações para fazer as ‘Big Tech’ pagarem”. O que se aproveitam da crise têm de ser taxados para cobrir os custos da crise. Precisamos de um imposto europeu sobre os lucros excessivos”, propôs.

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