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O futuro das próximas gerações está totalmente dependente da transição energética

Em entrevista ao esquerda.net, Ricardo Vicente, engenheiro agrónomo, ativista do Movimento Peniche Livre de Petróleo e cabeça de lista do Bloco por Leiria às próximas legislativas sublinhou a urgência de responder às alterações climáticas e a necessidade de uma mudança estrutural na gestão do território para combater os incêndios.

Porque aceitaste estar nas listas do Bloco?

Aceitei fazer parte das listas do Bloco porque considero que este é a força transformadora de que o país precisa para defender direitos no trabalho, para defender o ensino público, o Serviço Nacional de Saúde como pilares do Estado Social. Mas também porque é no Bloco de Esquerda que encontro a força e a coragem de concretizar propostas que respondem ao enorme desafio das alterações climáticas e da preservação de recursos naturais.

Como se consegue um efetivo combate aos incêndios?

Responder ao problema dos incêndios em Portugal exige uma mudança estrutural do ponto de vista da gestão do nosso território. Não é possível que pinheiro bravo e eucalipto continuem a ocupar metade da área florestal em Portugal. Por isso é necessária uma grande política de transição desta área florestal, abandonando um sistema de monocultura intensivo e incorporando biodiversidade, apostando em espécies autóctones.

É necessário termos um plano de reflorestação a nível nacional que permita esta redução de plantas que são promotoras do fogo e que colocam as populações em risco e que possibilite que a floresta como um todo nos preste serviços de ecossistema essenciais, inclusive para a nossa segurança, mas também para o desenvolvimento local e rural, permitindo uma nova forma de fixação da população nos territórios abandonados e um desenvolvimento económico local sustentável.

Em que situação está o movimento contra a prospeção de petróleo?

Eu fui fundador de um dos movimentos que se levantou em Portugal contra a prospeção e produção de petróleo, o Peniche Livre de Petróleo. Mas não fomos os únicos. Houve muitos outros de norte a sul do país que se levantaram contra a indústria extrativista da prospeção e produção de petróleo. Em 2016, existiam 15 contratos ativos. Neste momento já só existem dois: na Batalha e em Pombal, numa faixa territorial terrestre que se localiza entre as Caldas da Rainha e Soure, com a empresa Australis.

Nós provámos, neste caminho, que somos capazes de responder a este desafio. Prova disso são os 13 contratos que foram cancelados. Já só nos restam cancelar dois e tenho a certeza que vamos conseguir fazê-lo. É fundamental, todas as pessoas que se mobilizaram ganharam consciência ambiental do impacto que a indústria extrativista do petróleo e o gás têm no nosso território. Mas também ganhámos consciência ambiental do impacto que esta indústria tem a nível global, com as alterações climáticas. Há uma coisa que joga a favor de todos nós, que nos mobilizamos por esta luta, é que o futuro das próximas gerações é totalmente dependente de uma única proposta, que é a proposta da transição energética.

 

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