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O Eurogrupo vai “pensar fora da caixa”?

À medida que se aproxima a próxima reunião dos ministros das Finanças da zona euro, discute-se uma resposta mais ambiciosa e até se fala na criação de um sistema europeu de garantia de subsídios de desemprego. Ao mesmo tempo, aumenta a pressão na corrida contra o tempo para combater a crise.
Mário Centeno. Foto: EU2018BG/Flickr
Mário Centeno. Foto: EU2018BG/Flickr

Uma carta enviada por Mário Centeno aos restantes ministros das Finanças da zona euro deixa em aberto a possibilidade de recorrer a novos mecanismos na resposta europeia à pandemia. Embora ainda falte uma semana para a próxima reunião do Eurogrupo (7 de Abril), Centeno, presidente do órgão, avisa que os custos desta crise terão de ser partilhados entre todos os países, de forma a manter a coesão da zona euro. Caso não haja uma resposta comum, pode não ser possível evitar a fragmentação.

O Público dá conta de que a conclusão de uma videoconferência realizada na terça-feira entre a Presidente da Comissão Europeia (Ursula von der Leyen), o presidente do Conselho Europeu (Charles Michel), a presidente do BCE (Christine Lagarde) e o presidente do Eurogrupo (Mário Centeno) foi a de que “chegou a altura de pensar fora da caixa”. O cenário inédito que a UE atravessa e o desafio de relançar a atividade económica depois de contido o coronavírus motiva a preocupação dos líderes europeus em chegar a acordo sobre o caminho a seguir.

O problema é que este acordo tem sido difícil de alcançar. Há menos de uma semana, a reunião do Conselho, que juntou os líderes de governo dos 27 países da UE, acabou por espelhar as divisões entre os países do Norte e os do Sul. Na zona euro, as divergências são as mesmas: na última reunião do Eurogrupo, os países nem foram capazes de produzir um comunicado final conjunto, não tendo avançado nenhuma nova medida de combate à crise.

Se, por um lado, países como a Alemanha e a Holanda apenas aceitam o recurso ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), um fundo que disponibiliza empréstimos num valor até 2% do PIB de cada país (sujeitos a condicionalidade), por outro, boa parte dos restantes considera esta opção insuficiente. Nestes países, a memória da austeridade imposta como condição dos empréstimos da troika na última crise continua viva, pelo que defendem a emissão de títulos de dívida conjunta (coronabonds) para financiar a despesa relacionada com a pandemia, algo que os países do Norte têm sempre rejeitado.

Por outro lado, o Financial Times noticia que a Comissão Europeia quer avançar com um sistema europeu de garantia de subsídio de desemprego na ordem dos 80 a 100 mil milhões de euros. A ideia é ajudar os países afetados, permitindo financiar a despesa com programas de apoio a quem perde o emprego devido à crise. A UE endividar-se-ia usando como garantia fundos não alocados no orçamento comunitário e depois distribuiria os fundos através de empréstimos aos países. Esta era uma ideia que já constava do programa de trabalhos da Comissão e que parece ter avançado devido à crise que se atravessa. No entanto, há quem olhe para esta medida com desconfiança, dado que se traduz em mais dívida para os países afetados.

 

O que parece certo é que, na corrida contra o tempo para combater a crise, os líderes europeus procuram chegar finalmente a consenso para uma resposta coordenada.

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