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O debate a nove nas redes

Costa atacou à esquerda e proferiu finalmente a expressão "maioria absoluta”. À direita liberalizou-se, trouxe-se o conservadorismo da “ideologia de género” e a prática do “marialvismo” quando as mulheres falaram.

Tiago Ivo Cruz resumiu a abertura do debate através das críticas de Costa à esquerda, da direita a “esconder o seu programa apostando na mobilização anti-Costa” e do contraste com Catarina Martins que “defendeu entendimentos e propostas”.

Num debate com alguns tabus, houve uma revelação pouco reveladora: António Costa, apesar de ter fugido da pergunta sobre entendimentos pós-eleitorais com o PSD, proferiu finalmente a expressão “maioria absoluta”. Maria Escaja, aproveitou para recordar as críticas que o primeiro-ministro noutras ocasiões proferiu contra elas...

Por sua vez, Rui Rio abriu o debate a assumir a sua disponibilidade para discutir “governabilidade” com o PS e a querer resposta do PS sobre isso. Quanto ao seu futuro à frente do PSD depois das eleições trouxe um “logo se vê”. Também sem surpreender, aquele que na semana passada dizia que há funcionários públicos a mais e que é “líder do partido que há 40 anos desinveste e retira competências ao SNS”, veio agora dizer que este está em falência, realçou José Simões:

A participação dele neste debate foi, aliás, assim resumida por Carmo Afonso: “não ponham para trás: rui rio não disse nada.”

Catarina Martins tinha lembrado que os vários participantes no debate pelo espetro direito tinham ligações ao governo PSD/CDS/Troika, e jo trouxe, a esse propósito, a imagem dos quatro cavaleiros do Apocalipse:

Para além de Rio, o resto da direita esforçava-se por aparecer.

Para além de repetir o número sobre “ideologia de género”, o líder do CDS voltou a agitar o fantasma do PREC e inventou bancarrotas sucessivas no país que não aconteceram:

Já Cotrim de Figueiredo, continuou a insistir nas narrativas de sempre do credo liberal.

Sobre saúde, Mariana Mortágua comentou “Os liberais não se importam de pagar mais pela saúde, desde que seja privada.”

E sobre a enésima repetição de que os países do leste ultrapassaram Portugal, Miguel Martins trouxe números que revelam afinal contradições no “modelo” liberal, os do peso das empresas públicas no PIB nestes países:

Também sobre a taxa única de impostos, Nuno Saraiva apresentou outra lista que mostra que esta não será propriamente sinónimo da prosperidade que a Iniciativa Liberal quer colar à medida:

E Luís Soares considerou que Rui Tavares “muito bem” a realçar “a hipocrisia do Cotrim em não admitir que a sua proposta de IRS beneficia os ricos!” apesar da insistência do moderador:

 

Quanto a André Ventura, também tentou entrar na competição do mais liberal e quis trazer a sua contribuição sobre a prosperidade do leste europeu, revelando que Portugal foi ultrapassado pela Checoslováquia. Pedro Sales sugeriu-lhe outros países no mesmo campeonato:

Mais a sério, Mariana Mortágua destacou a contradição do Chega agora dizer que quer “investir” no SNS quando antes queria acabar com ele.

E notou que Ventura também tem um tabu seu: “Sobre offshores, vistos gold, planeamento fiscal agressivo, Ventura caladinho caladinho”

Outro silêncio foi realçado por Diogo Faro. O líder da extrema-direita não respondeu sobre a tal “metade do país que não trabalha”.

Para além do liberalismo, há quem tenha visto outra concordância à direita. João Albuquerque destacou o “machismo marialva” dos candidatos de direita que interromperam as mulheres.

E João Quadros viu o mesmo no olhar da direita:

Mafalda Dâmaso foi outra das que não deixou escapar esta atitude, a propósito da intervenção de Inês Sousa real sobre touradas:

Também houve quem não deixasse passar em claro que este foi mais um debate em que os moderadores não fizeram perguntas sobre a crise climática, como vinca João Camargo.

E não foi o único tema sobre o qual não houve espaço. Também a habitação e cultura não foram abordados, com esta a ser apenas mencionada pelo candidato da CDU:

 

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