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O Brasil tornou-se “uma câmara de gás a céu aberto”

Sindicalistas, artistas, intelectuais e figuras religiosas juntam-se no manifesto “Vida acima de tudo” para denunciar a gestão da pandemia do “monstruoso governo genocida de Bolsonaro”. Pedem urgentemente intervenção a instâncias nacionais e internacionais.
Trabalhador coloca cruzes nas campas de pessoas falecidas devido à pandemia em Manaus. Foto de RAPHAEL ALVES/EPA/Lusa.
Trabalhador coloca cruzes nas campas de pessoas falecidas devido à pandemia em Manaus. Foto de RAPHAEL ALVES/EPA/Lusa.

É uma “Carta aberta à humanidade” escrita em tom dramático e que foi apresentada este sábado. Conta com subscrições de artistas como Chico Buarque e Zélia Duncan, de figuras religiosas como Leonardo Boff, Júlio Lancellotti da Pastoral do Povo de Rua e o bispo católico Mauro Morelli, de intelectuais como a especialista em direitos humanos Carol Proner, dos presidentes de sindicatos como a CUT, a Força Sindical, a UGT, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a Nova Central Sindical de Trabalhadores, a Central dos Sindicatos Brasileiros, a Central Geral de Trabalhadores do Brasil e a Central do Servidor, entre muitos outros.

O manifesto “Vida acima de tudo” não poupa nas palavras. Diz que o Brasil se tornou “uma câmara de gás a céu aberto”, acusando “o monstruoso governo genocida de Bolsonaro” de ter deixado “de ser apenas uma ameaça para o Brasil para se tornar uma ameaça global”. Por isso, para além de apelarem à intervenção de instâncias nacionais como o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e a Ordem dos Advogados Brasileiros, também pedem com urgência a intervenção à ONU e ao Tribunal Penal Internacional

Desde o início da pandemia houve já cerca de 11 milhões de casos e 264.446 mortes. E, na semana em que morreram no Brasil devido à Covid-19 10 mil pessoas, um novo recorde trágico, Bolsonaro voltou a chocar com as suas declarações: “temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”

O presidente brasileiro também se pronunciou mais uma vez contra o confinamento e as medidas de isolamento, afirmando que o “lockdown não funciona” e que “atividade essencial é toda aquela necessária para um chefe de família levar o pão para dentro de casa”.

À Folha de São Paulo, o padre Júlio Lancellotti, em nome dos subscritores da carta, mostra uma atitude oposta: o “nosso povo precisa ser socorrido e que a humanidade se liberte de todo o fascismo e de todo genocídio dos pobres, dos fracos e dos pequenos”. A carta aberta à humanidade descreve o presidente do país como um “homem sem humanidade” que “nega a ciência, a vida, a proteção ao meio-ambiente e a compaixão”, sendo “o ódio ao outro” a “sua razão no exercício do poder”.

Para eles, “o Brasil hoje sofre com o intencional colapso do sistema de saúde. O descaso com a vacinação e as medidas básicas de prevenção, o estímulo à aglomeração e à quebra do confinamento, aliados à total ausência de uma política sanitária, criam o ambiente ideal para novas mutações do vírus e colocam em risco toda a humanidade”.

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