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O Bloco foi a verdadeira oposição em Aveiro, agora quer eleger um vereador

Há quatro anos, o Bloco ficou por pouco à porta da Câmara. Nelson Peralta quer agora entrar e ser o vereador “rompe qualquer hipótese de existir uma maioria absoluta” e que “irá levar políticas diferentes na habitação, mobilidade, alteração climáticas, transporte pública e isso fará toda a diferença”.
Catarina Martins e Nelson Peralta no comício de Aveiro.
Catarina Martins e Nelson Peralta no comício de Aveiro.

O cabeça de lista do Bloco à Câmara Municipal de Aveiro, Nelson Peralta, está a fazer uma campanha de crítica “muito aguerrida” às políticas do atual presidente da Câmara, de “propostas concretas” e “acima de tudo” de “ideias e de propostas diferentes”. E foi isso que mostrou esta sexta-feira no comício de campanha que contou com a presença de Catarina Martins.

A candidatura bloquista denuncia que a gestão de Ribau Esteves fez uma “pequenina elite ganhar dinheiro à custa dos aveirenses”. E o deputado apresentou os exemplos. Desde a Transdev, “uma das maiores multinacionais do planeta”, que ficou com a concessão dos transportes públicos e tem “milhões em subsídios extraordinários” enquanto “a população de Aveiro tem menos autocarros, menos acesso a serviços e até menos rendimentos porque houve muitas pessoas que perderam acesso ao seu emprego por falta de transporte público”. Até à Veolia que “ficou com o jackpot do lixo em Aveiro” a quem a autarquia “entregou o setor dos bio-resíduos que dá lucro sem concurso público” e com a Câmara “a fazer o investimento inicial necessário e ainda atirando um milhão de euros lá para cima”. Aos aveirenses saiu a fava: “cada um andou a pagar a tarifa de resíduos mais cara do país: 1,57 euros por cada euro real de custo”, vinca.

Para ele, a “herança mais pesada” do executivo está “na política de investimento público e de habitação” porque se apostou “tudo no turismo” se fez “investimento público no espaço público sem obra no edificado, o que significa que o preço da habitação sobe bastante”.

E é precisamente a habitação um dos eixos principais das propostas do Bloco para Aveiro. Ao contrário de Ribau Esteves, candidato da direita que responde ao problema habitacional dizendo “sou um liberal e o mercado está a resolver o problema” e de Manuel Sousa, da coligação PS-PAN, que “a poucos dias das eleições ainda não tem programa eleitoral” e não apresentou “uma única proposta concreta sobre habitação”, o Bloco tem um “conjunto vasto de propostas” para o setor que vai desde o combate à pobreza energética, a utilização de terrenos públicos para construir habitação a custos controlados e não para vender para apartamentos de luxo; a obrigatoriedade de que 25% dos novos apartamentos construídos no concelho sejam destinados a programas de arrendamento acessível; a reabilitação dos prédios em ruínas “sempre que o proprietário não tenha capacidade de investimento no seu prédio” e a sua colocação num programa de arrendamento a custo acessível.

O Bloco quer também agir sobre a “realidade incontornável que é a crise climática, até porque “Aveiro é um dos concelhos na Europa que mais vai sofrer com as alterações climáticas”. O partido pretende que Aveiro “se torne um das primeiras cidades na Europa a atingir a neutralidade carbónica em 2030”, que os transportes públicos “regressem à esfera pública de forma intermunicipal”, criar uma rede de ciclovias que ligue todas as freguesias e um metro de superfície que una a ferrovia de mercadorias já existente do porto de Aveiro mas que consiga unir a estação de caminhos de ferro da linha do Norte, a linha do Vouga, a universidade, núcleos habitacionais e as praias do concelho de Ílhavo. E reitera também a ideia de criar de um Parque Natural que abranja as sete áreas protegidas e classificadas da Ria de Aveiro, do Rio Vouga, da Pateira e das Dunas de São Jacinto. Contra o modelo da direita que é aplicado nas Dunas de São Jacinto e que tem “”apenas critérios de mais visitantes e mais receitas” e nenhum de proteção da natureza ou de conservação a biodiversidade.

Nelson Peralta apresenta Ribau Esteves como “o autarca que aplaude o aumento do preço da habitação, que saúda a privatização e redução drástica dos transportes públicos” e que “não quer fazer nada em relação às alterações climáticas” e o candidato do PS-PAN como alguém que “esconde o seu programa” e que “a única diferença que quer fazer em relação a Ribau Esteves nos debates repetir exaustivamente que quer respeito, quer diálogo, quer mais participação sem nunca dizer ao que é que vem”. Mas Aveiro “não está limitada a estas decisões entre simpatia e antipatia” e é essa diferença que Bloco se propõe fazer. Há quatro anos, o partido ficou “muito perto da eleição de um vereador” mas ganhou “uma imensa força” fazendo com que sejam os temas do Bloco que fazem o debate político em Aveiro. Agora, o Bloco quer eleger um que rompe qualquer hipótese de existir uma maioria absoluta e “irá levar políticas diferentes na habitação, mobilidade, alteração climáticas, transporte pública, isso fará toda a diferença”.

Ribau Esteves sabe que o Bloco é o seu principal adversário

O deputado pelo distrito de Aveiro, Moisés Ferreira, também falou neste comício. Considera que o Bloco foi a “alternativa consistente ao longo dos últimos anos, a oposição clara a uma governação tribal que quer fazer da cidade de Aveiro um negócio, um estaleiro de negócio”. Por isso, “Ribau Esteves tem considerado o Bloco de Esquerda como o seu principal adversário político”. E, pelo menos nisso, tem razão sublinha o dirigente bloquista.

O deputado acrescenta que se o Bloco tivesse eleito vereador há quatro anos “estes quatro anos da direita não tinham sido tão fáceis como foram” e muitos negócios “teriam ficado à porta”. Mas agora isso vai acontecer, acredita.

Um serviço intermunicipal de transportes numa “cidade entupida de carros”

Rita Batista, a cabeça de lista do Bloco à Assembleia Municipal, fez também um retrato da gestão municipal da direita que implementou uma “reestruturação do espaço urbano ignorando sempre os reais problemas do concelho”, como “a falta de espaço público inclusivo, o excesso de trânsito automóvel, a falta de espaços verdes e arvoredo”. A narrativa do poder local dominante foi a de que se estaria “a melhorar o que é de todos quando na realidade o que fez foi satisfazer necessidades de operadores privados: seja da indústria do papel, turismo, hotelaria, especulação imobiliária ou grande distribuição”.

A candidata bloquista olha também para Aveiro como sendo “infelizmente uma cidade entupida de carros”, na qual “a privatização dos transportes públicos foi um erro colossal, danosa para trabalhadores e utentes” esta “continua a ser alvo de injeções de dinheiro público para um serviço mau que não dá resposta à população”.

Rita Batista também referiu a existência de “mais de cinco mil famílias carenciadas” que teriam acesso à tarifa social da água mas, “em vez disso, a direita aplica a discricionariedade e obriga estas famílias a pedirem ajuda para pagar contas, sem qualquer critério, sem saberem se num mês terão essa ajuda e no outro não”. Para o Bloco, o “acesso à água e saneamento é um direito não pode estar dependente da decisão de um presidente de Câmara”.

Adiantou ainda a proposta da criação de um “serviço público municipal para a igualdade de género com formação para trabalhadores da autarquia, forças policiais e formação nas escolas e para prevenção e combate à violência de género.

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