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“O aparecimento de novas variantes resulta das políticas egoístas das grandes potências"

Para além da questão do levantamento das patentes das vacinas contra a covid-19, Pedro Filipe Soares questionou esta quinta-feira o Governo sobre a política migratória e sobre a construção de um muro na fronteira da Polónia com a Bielorrússia com dinheiros europeus.
Pedro Filipe Soares esta quinta-feira no Parlamento. Foto de Tiago Petinga/Lusa.
Pedro Filipe Soares esta quinta-feira no Parlamento. Foto de Tiago Petinga/Lusa.

No debate preparatório do Conselho Europeu, realizado no plenário da Comissão Permanente da Assembleia da República esta quinta-feira, Pedro Filipe Soares confrontou o Governo com a necessidade de serem levantadas as patentes das vacinas contra a Covid-19, lembrando que a pandemia “não conhece as fronteiras” e que o aparecimento de novas variantes é “o resultado das políticas egoístas das grandes potências” que continuam a colocar o mercado à frente dos interesses comuns.

Para o líder parlamentar bloquista, provou-se que “o problema da pandemia é da sua expansão pelo mundo sem que a vacinação acompanhe essa expansão e a combata de forma global”. Por isso, “estamos agora a pagar a fatura com novas estirpes” dessa política dos países mais ricos que “colocou em primeiro lugar o mercado” e relegou para um papel secundário “o interesse comum global”.

Pedro Filipe Soares abordou ainda outra questão que vai estar a debate no Conselho Europeu, as migrações, acusando o Governo de acompanhar as políticas de militarização e construção de muros da União Europeia. Tal como na pandemia, considerou, o problema do Mediterrâneo que “continua a ser o cadafalso de muitas vidas” “não se resolve com barreiras e fronteiras”.

Para o líder parlamentar bloquista, o Governo português “acompanhou as grandes medidas da União Europeia e os grandes erros que tem cometido ao longo destes últimos anos” em matéria de política migratória, tendo assm responsabilidade por uma “política desumana” perpetrada pela UE.

Na parte final da sua intervenção, questionou a posição do Governo sobre a construção de um muro por parte da Polónia na sua fronteira com a Bielorrússia. Afirmando que, da parte do Bloco, “há uma condenação total ao ditador” bielorrusso. exigiu “mais respeito por parte da União Europeia por todas as pessoas usadas por esse ditador" no confronto com a UE. "Quem quer construir muros para responder a esta crise de humanidade não está a ter uma resposta muito mais justa do que quem os usa para ter uma guerra” com Bruxelas, concluiu Pedro Filipe Soares.

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