Vieram de transportes públicos de vários pontos da Área Metropolitana. Candidatos às próximas legislativas, ativistas e simpatizantes bloquistas encontraram-se este domingo de manhã na estação de comboio Roma-Areeiro, em Lisboa, para fazer uma arruada em defesa de mais e melhores serviços públicos.
Catarina Martins falou da razão de ser da iniciativa, os transportes, mas também do tema do dia: o acordo sobre a Lei de Bases da Saúde. Sobre este disse que é “uma boa notícia que nos deixa felizes”. O Bloco empenhou-se “muitíssimo” em chegar a bom porto sobre esta questão num processo que demorou “muito tempo”, ano e meio e que foi “iniciado por João Semedo e António Arnaut”, realça a coordenadora do Bloco. Foi uma vitória que “revoga todas as leis da direita que ao longo do tempo têm vindo a desproteger o Serviço Nacional de Saúde e a colocar os recursos que são de todos nas mãos dos negócios privados da saúde”.
A dirigente bloquista lembrou que “houve um bloqueio a determinada altura porque o Partido Socialista queria que a Lei de Bases expressamente dissesse que se podiam fazer PPPs e nós achávamos que devia dizer que no SNS só pode existir gestão pública”. E foi o Bloco que avançou que a proposta que desbloqueou a situação: “fazer uma lei de bases sem PPPs, revogar toda a legislação da direita, não só a lei de bases de Cavaco Silva mas também a lei das PPPs de Durão Barroso e na próxima legislatura fazermos uma lei sobre a gestão do Serviço Nacional de Saúde.”
O Bloco não se esquece que “o Partido Socialista primeiro disse que não e foi negociar com a direita”. Mas reforça a ideia que “nunca baixámos os braços” e que foi isso que permitiu alcançar um acordo em que se garante que a negociação com os privados é supletiva e não a regra, em que se faz “o caminho para a exclusividade dos médicos” e para acabar com as taxas moderadoras, em que se estabelece “o princípio da gestão pública do Serviço Nacional de Saúde”
Quando questionada sobre o futuro das Parcerias Público Privadas, Catarina Martins esclareceu que foi revogada das PPPs de Durão Barroso e que ficou estabelecido que “na próxima legislatura vamos ter de fazer uma lei sobre a gestão do Serviço Nacional de Saúde”. E, “até lá ninguém pode fazer novas PPPs”, vinca.
Sobre este tema, o Bloco deixa a garantia de que “na próxima legislatura estaremos a lutar por uma gestão pública do SNS que garanta o acesso à saúde a todas as pessoas”.
Mais e melhores transportes públicos
Os transportes públicos foram o tema desta arruada. A coordenadora do Bloco salientou a necessidade de termos “melhor oferta de transportes”, assegurando que “isso é central para o Bloco de Esquerda”.
Catarina Martins nota que o Bloco tem “vindo a chamar a atenção para as questões do financiamento” e focou-se depois numa “ proposta muito concreta que nós achamos que tem de começar a andar já”. Ao contrário do que quer o governo, gastar cerca de 250 milhões de euros para a linha circular do metropolitano “que é uma linha que serve uma população que já é servida pelo metropolitano” e que “não tem sentido”, o Bloco pensa que é preciso “chegar com a oferta de transportes àqueles sítios em que ainda não chega”: a Loures, Odivelas, à zona ocidental de Lisboa.
Aliás, de acordo com Catarina Martins, no Parlamento “já nenhum partido apoia a linha circular, mesmo o PS absteve-se sobre a suspensão da linha circular”.
A coordenadora do Bloco considera esta medida mesmo “uma exigência de democracia”. “Não gastemos dinheiro numa obra de que ninguém precisa, utilizemos esse investimento para fazer chegar o metropolitano onde ele ainda não chega, para aumentar a oferta de transportes”, apela.