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Novo chefe da polícia afasta responsável por investigações à família Bolsonaro

O ex-candidato presidencial Guilherme Boulos considerou "inacreditável” a decisão de trocar o chefe da Polícia Federal no Rio de Janeiro “que investigava milicianos e o assassinato de Marielle”, mas também o "gabinete do ódio" montado por Carlos Bolsonaro.
Bolsonaro a nomear Rolando Alexandre de Souza. Fonte @planalto/twitter.
Bolsonaro a nomear Rolando Alexandre de Souza. Fonte @planalto/twitter.

Rolando Alexandre de Souza demorou dez minutos entre ser nomeado diretor da Polícia Federal e tomar posse e apenas mais vinte para fazer o que dele se esperava. Depois da cerimónia reservada que aconteceu esta segunda-feira no Palácio do Planalto, tratou imediatamente de mudar a superintendência da polícia no Rio de Janeiro, que tem sob sua alçada casos sensíveis como investigações a milicianos, aliados políticos e filhos do presidente brasileiro.

É o caso do chamado “gabinete do ódio”, uma estrutura financiada por empresários bolsonaristas para atacar vários inimigos políticos da sua família; dos esquemas ilegais no gabinete de Flávio Bolsonaro enquanto pertencia à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro; ou até a participação do Presidente em manifestações em que se apelava a golpes de Estado.

A rapidez do processo tem explicação: Souza não foi a primeira escolha de Bolsonaro. Foi nomeado para o cargo na sequência de Alexandre Ramagem, um amigo da família Bolsonaro, ter sido barrado pelo Supremo Tribunal Federal. Ramagem até tinha visto a sua escolha ser publicada no Diário Oficial da União a 28 de abril. A nomeação aconteceria no dia a seguir. Mas o juiz Alexandre de Moraes agiu ainda antes desse momento, baseando o seu veto nas palavras do próprio Bolsonaro que indiciavam que este se preparava para utilizar a Polícia Federal para as suas finalidades, nomeadamente de recolha de informação.

Desta feita, Jair Bolsonaro antecipou-se e nomeou rapidamente um conhecido homem da confiança de Ramagem para cumprir o papel que lhe estava destinado.

No domingo, o Presidente brasileiro esteve numa manifestação que tinha como alvos o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. E o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que antes costumava ser aclamado por este tipo de atos.

Nesta ocasião, sobre o STF, Bolsonaro deixou no ar o que soa a uma ameaça: “Peço a Deus que não tenhamos problemas essa semana. Chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui para a frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço, e ela tem dupla mão”. E ameaçou mesmo não cumprir futuras decisões judiciais.

Durante os protestos, vários jornalistas foram agredidos e ameaçados.

Não deixaremos que a Polícia Federal seja transformada numa polícia política para proteger Bolsonaro”

Sobre as alterações na chefia da polícia do Rio de Janeiro, o deputado Federal do Rio, Marcelo Freixo, do PSOL, anunciou que o partido pediu a convocação do novo comandante nesta Assembleia. No seu twitter, Freixo escreveu que “Rolando Souza mal assumiu o posto e já trocou a chefia da instituição no RJ. Não deixaremos que a PF seja transformada numa polícia política para proteger o presidente.”

E o ex-candidato presidencial Guilherme Boulos considerou a decisão de “trocar o chefe da PF no Rio, que investigava milicianos e o assassinato de Marielle” como “inacreditável”.

 

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