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Novo Banco ajudou com 8,6 milhões uma empresa de Luís Filipe Vieira no Brasil

A Promovalor, uma das maiores devedoras do Novo Banco, pediu ajuda para salvar o projeto Reserva do Paiva, em parceria com a Odebrecht, no Brasil. A dívida das empresas de Vieira ascendem a 760 milhões de euros, com 225 milhões de euros de perdas entre 2014 e 2018.
Luís Filipe Vieira
Foto de Art of Football | Facebook

Segundo o jornal Expresso, o Novo Banco, em março de 2017, aprovou um empréstimo no valor de 8,6 milhões de euros a uma das empresas da Promovalor, de Luís Filipe Vieira. O financiamento, com uma duração de 72 meses, tinha como objetivo servir como apoio à tesouraria da empresa Reserva do Paiva PE04, que na altura passava por sérias dificuldades económicas.

O contrato de empréstimo não obrigou a empresa a pagar comissões para além dos juros fixados através do Euribor. O empréstimo foi avalizado pelo maior acionista da Promovalor, Luís Filipe Vieira, e pelo acionista minoritário, Manuel Almerindo Duarte.

Este empréstimo foi dado numa altura em que a Promovalor tinha investido num empreendimento no Estado de Pernambuco, no Brasil, e segundo apurou o Expresso, este negócio gerou divergências entre Vieira e alguns fornecedores, como por exemplo a Odebrecht, que para além de construir o empreendimento, tinha participação acionista no projeto.

Luís Filipe Vieira chegou, em 2017, a um acordo com o Novo Banco para reestruturar a dívida e isto significou a passagem de ativos para o fundo FIAE, gestora de capital de risco Capital Criativo (atual C2 Capital). Os ativos que a Promovalor tinha em Portugal e Moçambique só foram transferidos para a FIAE em 2018 e os do Brasil em 2019.

De acordo com o Expresso, o Novo Banco ficou com mais de 95% das unidades de participação do fundo FIAE, mas Vieira e os restantes acionistas da Promovalor ficaram com o restante.

O empreendimento Reserva do Paiva era um dos mais valiosos da Promovalor e era composto por um hotel, gerido pelo Sheraton, uma componente residencial e escritórios, da propriedade da Promovalor e da Odebrecht.

Este apoio do Novo Banco, em 2017, surgiu numa altura em que foi acordada a reestruturação da dívida de Luís Filipe Vieira e a auditoria da Deloitte deu conta que a dívida do presidente do Benfica, referente às suas empresas, ascende a 760 milhões de euros, tendo provocado perdas no valor de 225 milhões de euros entre 2014 e 2018.

Foi também em 2017 que o Novo Banco deixou de ter qualquer participação na Benfica SAD e essa participação de 8% foi vendida ao empresário José António dos Santos. Nesse mesmo ano e nos seguintes realizaram-se vários negócios imobiliários entre Vieira e José António dos Santos.

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