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Nove em cada dez empregos destruídos na pandemia eram de mulheres

Segundo o INE, dos 50 mil postos de trabalho extintos em março e abril, 44,6 mil eram ocupados por mulheres. Especialistas apontam para o facto de estas terem vínculos de trabalho mais precários e serem maioria nos setores mais afetados.
Fotografia de Paulete Matos.

É mais uma notícia que vem indicar que os efeitos sociais e económicos da pandemia da covid-19 não afetam todos os grupos de igual modo. Segundo o Jornal de Negócios que afirma que o impacto da pandemia no mercado laboral está a afetar muito mais as mulheres que os homens. 

O jornal baseou-se nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que afirma que 90% dos empregos destruídos nos meses de março e abril pertenciam a mulheres. 

Face aos dados de fevereiro, em abril a economia nacional registava menos 50 mil postos de trabalho. Destes, 44,6 mil eram ocupados por mulheres.  

“Enquanto o emprego feminino teve um corte de 1,9%, o masculino apenas recuou 0,2%. Se a comparação for homóloga, entre abril de 2020 e abril de 2019, a preponderância das mulheres diminui mas continua a ser indiscutível. Dos 85 mil empregos desaparecidos, 66% eram de mulheres – ou seja, 56 mil”, diz o jornal de Negócios. 

Comparando com o mesmo período de 2019, o ritmo de destruição do emprego nas mulheres foi de 2,4%, exatamente o dobro do registado nos empregos masculinos.

Para além das mulheres, também os jovens de ambos os sexos sentem de forma mais acentuada os impactos que a pandemia teve no mercado laboral. 

Apesar de comporem menos de 6% do total de empregos, 38% daqueles que foram destruídos em março e abril eram ocupados por jovens. 

“Nestes dois primeiros meses, foram destruídos 19 mil empregos que antes eram ocupados por jovens, número que aumenta para 30 mil se a comparação for homóloga”, diz o jornal a partir de dados do INE. 

O INE não avança com explicações sobre este fenómeno, mas muitos especialistas chamam a atenção para o facto de as mulheres e os jovens em geral costumarem ter vínculos laborais mais frágeis, “estando por isso mais atreitos a perder o seu emprego em momentos de aperto”.

Além disso, o facto de o trabalho doméstico e de cuidado dos filhos ser geralmente atribuído às mulheres, numa altura em que as escolas estão fechadas, poderá também ter desempenhado um papel para esta desigualdade. 

Por último, dá-se também o caso de as mulheres serem a maioria dos trabalhadores em dois setores mais afetados pela crise, o turismo e o comércio.

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