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Nova Zelândia proíbe exportação marítima de gado vivo

O ministro da Agricultura neozelandês afirmou que o risco para a reputação do país superava qualquer ganho financeiro, na medida em que não é possível salvaguardar o bem-estar dos animais assim que eles deixam as costas da Nova Zelândia.
Foto da PATAV - Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos.

“A Nova Zelândia deve ficar na dianteira num mundo onde o bem-estar animal está sob crescente escrutínio, se realmente quisermos ser os produtores de alimentos mais éticos”, frisou esta quarta-feira Damien O’Connor, citado pela Associated Press.

De acordo com o ministro da Agricultura neozelandês, haverá um período de transição de dois anos, por forma a permitir que aqueles que investiram no negócio de exportação de animais de criação vivos se possam adaptar. A proibição não abrangerá os animais transportados por via aérea.

Em 2020, a Nova Zelândia já tinha suspendido temporariamente as exportações, na sequência do naufrágio de um navio com 5.800 cabeças de gado com destino à China, que vitimou mais de 40 tripulantes e todos os animais.

Damien O’Connor defendeu que o risco para a reputação do país superava qualquer ganho financeiro, na medida em que não é possível salvaguardar o bem-estar dos animais assim que eles deixam as costas da Nova Zelândia.

No ano passado, o valor das exportações de animais vivos do país ascendeu a 261 milhões de dólares neozelandeses (155 milhões de euros), o que representa o triplo em relação ao ano anterior.

O'Connor assinalou que as autoridades informaram a China sobre os planos para a proibição. Mas ainda não receberam qualquer resposta. O ministro da Agricultura neozelandês afirmou que não está preocupado em ofender a China, que é o maior parceiro comercial da Nova Zelândia e grande comprador de gado vivo. “Não se trata da China. É uma questão de bem-estar animal ”, vincou.

“Temos um relacionamento consistente e tenho a certeza de que entendem a nossa posição”.

A Federated Farmers, um lóbi de produtores de gado, garantiu que os seus exportadores aderiram a padrões muito elevados de bem-estar animal e assinalou a sua surpresa com a proibição. Ainda assim, o grupo disse que o período de transição daria aos agricultores a possibilidade de honrarem os compromissos existentes e considerarem as suas opções futuras.

O deputado da oposição Mark Cameron, do ACT Party, e o grupo de direitos dos animais SAFE congratularam a decisão. Ainda assim, a executiva-chefe deste coletivo, Debra Ashton, disse estar preocupada que centenas de milhares de vacas ainda possam ser exportadas por mar nos próximos dois anos e que as exportações aéreas de animais como frangos e enguias continuem.

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