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Nova vaga de suicídios na France Telecom

Os sindicatos alertam para a deterioração das condições laborais dos trabalhadores da Orange-France Telecom no último ano e frisam que os 10 suicídios registados desde janeiro são motivo de “grande alerta”, já que sugerem uma aceleração "bastante surpreendente", face aos 11 casos registados durante todo o ano de 2013.
Foto de Salvatori Freni, Flickr.

Dez trabalhadores da Orange-France Telecom cometeram suicídio desde o início do ano. "Quase tanto como durante todo o ano de 2013", alertou esta terça feira o Observatório sobre stress e mobilidade forçada criado por sindicatos da empresa (CFE-CGC e SUD), citado pelo Le Monde.

Segundo este observatório, que surgiu pouco antes do início da onda de suicídios que atingiu o grupo entre 2007 e 2009, a morte dos trabalhadores da Orange-France Telecom é motivo de “grande alerta”, já que sugere uma aceleração "bastante surpreendente", face aos 11 casos registados durante todo o ano de 2013.

A maioria dos suicídios “tem uma relação explícita com o trabalho”, avançou o Observatório sobre stress e mobilidade forçada. Oito em cada dez suicídios relacionam-se, de facto, com a realidade laboral, segundo precisou o jornal online francês Mediapart.

Entre 2007 e 2009, a France Telecom foi palco de uma série de suicídios: 35 em dois anos. À época, o ex CEO da France Telecom, Didier Lombard , afirmou que a vaga de suicídios era uma "moda", causando indignação entre os trabalhadores e organizações sindicais. Em 2011, este responsável acabou por demitir-se, sendo indiciado um ano mais tarde por assédio moral.

Quando assumiu a liderança da Orange-France Telecom, Stéphane Richard assegurou que iria estabelecer "um modelo organizacional radicalmente novo em França", colocando as pessoas no centro da empresa.

A 18 de fevereiro, os sindicatos emitiram um alerta conjunto, no qual frisam que o "aumento dos suicídios que se verificou desde 1 de janeiro diz respeito a todos nós”. No documento, as estruturas sindicais chamam a atenção para o facto de a situação se ter deteriorado no último ano no que respeita à saúde e segurança dos trabalhadores, apontando, nomeadamente, “a supressão de empregos programada em vários anos e a insuficiência de recrutamentos”.

Lembrando que a faixa etária média dos trabalhadores da empresa é bastante elevada, os sindicatos referem que, até 2020, sairão da Orange-France Telecom cerca de 30 mil trabalhadores e que apenas uma parte destes será substituída. Esta “redução de efetivos não tem equivalente nas grandes empresas francesas em duas décadas” e irá aumentar a carga de trabalho para aqueles que permanecem, alertam.

Ainda que sublinhe que "cada um desses atos é singular na natureza e refere-se a diferentes contextos”, a administração da Orange-France Telecom assegurou que a empresa irá vigiar de perto a situação.

Na sexta feira, o mediador do grupo, Jean- François Colin, irá reunir com representantes do Conselho Nacional de Saúde , Segurança e Condições de Trabalho.

A Ministra da Saúde, Marisol Touraine, citada pelo Le Figaro, afirmou-se preocupada com esta situação.

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