O FMI ofereceu na noite do último dia 15 na sua sede de Washington um jantar de Natal onde houve tudo menos austeridade. Já sabemos que a entidade lucra tanto mais quanto melhor esmaga os países que caem na rede dos seus empréstimos (só com a Grécia, este ano, espera obter de juros 899 milhões de dólares, lembra o diário americano Washington Post), mas começa a ser marca registada do Fundo deixar bem vincado que aqueles que forçam os outros a ser austeros distinguem-se por fazer exatamente o oposto.
O menu de 4 páginas, divulgado pelo Washington Post, indica que as entradas foram servidas entre as 20h e as 21h30 no 1º andar da sede e incluía uma lista de seis acepipes onde não faltaram os tradicionais “Caviar Crème Fraiche”, as ostras e o salmão defumado.
Os comensais podiam depois escolher entre as “estações” indiana, tailandesa/vietnamita, mediterrânica e do Médio Oriente, espanhola, mexicana e até “americana”, espalhadas pelos diversos andares e salões de dois edifícios.
Os cocktails especiais tinham nomes como “Cumprimentos do Paraíso”, ou “Mr. Grinch” (?). E as sobremesas foram as mais variadas, de fina pastelaria francesa, bolos e frutas.
Segundo o jornal norte-americano, o jantar terá custado 500 mil dólares.
Funcionários do Fundo estão habituados a vida faustosa
Não é novidade que o Fundo se reja por regras opostas àquelas que prescreve para os que supostamente ajuda. Veja-se o caso do alto funcionário Poul Thomsen, dinamarquês que já chefiou a missão do FMI para Portugal e agora está à frente da missão para a Grécia. O homem que mais defendeu a proposta de aumentar o horário de trabalho em meia hora e insistiu no corte da TSU em Portugal, o homem que foi mais longe na defesa do despedimento de funcionários públicos, ganha mais de 309.000 dólares por ano, de acordo com o nível B05 do FMI, de acordo com o jornal grego Eleftheros Typos, que assinala que, como funcionário do FMI não-americano residente nos Estados Unidos, grande parte dos seus rendimentos são livres de impostos – uma das benesses garantida pelo FMI aos seus funcionários. Thomsen terá tido um aumento no seu vencimento, em 2011, de 4,9% – garantido pelo FMI.