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“No domingo, ganha quem tiver força para desempatar”

No comício em Lisboa, Catarina Martins voltou a apelar a “uma maioria em que o Bloco de Esquerda seja determinante como terceira força política” e torne possível um "contrato à esquerda" para trazer "estabilidade e transformação" ao país.
Fotos de Pedro Gomes Almeida

Na véspera do encerramento da campanha, Catarina Martins afirmou estar orgulhosa da campanha que fez em defesa de “um contrato claro, um contrato de ferro que responda pelo trabalho e pelos serviços públicos” e que conseguiu enterrar “o delírio de maioria absoluta de António Costa precisamente em nome deste contrato que é necessário a Portugal”. Outro motivo de orgulho foi ter visto o primeiro-ministro dizer nos últimos dias de campanha que voltará ao diálogo para este contrato. “Que grande volta deu o PS nesta campanha! Ainda bem que convidei António Costa para a reunião de segunda-feira que vem”, prosseguiu Catarina, ressalvando as dificuldades nesse caminho, ao ouvir Augusto Santos Silva esta quinta-feira a “alimentar ambiguidades e admitir futuros apertos de mão com Rui Rio”. E lembrou que “só um Bloco de Esquerda forte impede essa deriva repetida, que o país conhece tão bem e recorda sem saudade, a governação pantanosa do centrão”.

Quanto à direita nesta campanha, “teve que vir a jogo e expôs-se: os grupos da saúde privada, as companhias seguradoras estão à espreita e Rui Rio é o seu homem. Ainda bem que Rui Rio se mostrou”, afirmou Catarina, referindo-se às declarações do líder do PSD a favor da diminuição da proteção pelo subsídio de desemprego, a juntar à ameaça contra o salário mínimo, contra a saúde gratuita, pela privatização parcial da segurança social.

Se a campanha do Bloco passou por trazer a primeiro plano o compromisso com “aqueles que foram ficando para trás” e de quem o PS esqueceu, é a essas pessoas que Catarina dirigiu o apelo ao voto por “uma maioria em que o Bloco de Esquerda seja determinante como terceira força política”, numa altura em que aparece empatado nas sondagens com a extrema-direita. “No domingo, ganha quem tiver força para desempatar”, avisou.

“No domingo não será eleito um primeiro-ministro. No domingo haverá uma maioria à esquerda ou uma maioria à direita”, resumiu a coordenadora bloquista, apelando ao voto “por um contrato à esquerda para quatro anos de estabilidade no emprego, na recuperação dos salários e das pensões, na salvação do SNS, em decisões consistentes contra o caos climático”.

“Cada voto no Bloco conta para uma maioria à esquerda, uma maioria de estabilidade e de transformação. Vamos ganhar essa maioria a partir da força do Bloco, da esquerda de confiança”, concluiu.

Mariana Mortágua ataca neoliberalismo do Chega e IL

Num discurso de ataque às propostas da direita nestas eleições, Mariana Mortágua falou de algumas propostas do programa da Iniciativa Liberal, reconhecendo que “tiveram muito trabalho para encontrar formulações em que não pareça que estão a propor o que de facto estão a propor” e que pouco se distingue do programa do Chega em matéria de liberdade económica. “Ventura é o mais neoliberal dos neoliberais, e só ouve a voz do dono. Por isso gosta dos vistos gold, vive bem com offshores, e sonha entregar os serviços públicos aos amigos”, afirmou a cabeça de lista do Bloco pelo círculo de Lisboa.

Os liberais “são a mais recente caricatura da direita económica que nos aprisionou no atraso e na desigualdade sempre com a desigualdade na boca”, prosseguiu Mariana Mortágua, contrapondo que “liberdade é não depender do dinheiro para ter saúde ou escola, é vivermos a nossa vida sem o medo e a insegurança que a receita liberal instala sempre, cedo ou tarde, na vida de um povo”. Por isso, “quem quer liberdade só tem uma coisa a fazer no domingo: votar Bloco de Esquerda para derrotar o Chega e garantir uma maioria à Esquerda”, concluiu.

Bruno Maia quer combater o “saque” ao Estado dos grupos privados de saúde

O médico e candidato do Bloco pelo círculo de Lisboa trouxe ao seu discurso a situação de colegas de trabalho no hospital: uma técnica superior de diagnóstico e terapêutica que ali trabalha há 22 anos e leva hoje para casa o mesmo salário de então, mil euros; um enfermeiro que está há 13 anos com contrato individual e ganha menos de mil euros enquanto acumula horas que nunca lhe serão pagas e 21 feriados por gozar; e a empregada de limpeza da unidade de cuidados intensivos, há 14 anos a ganhar o salário mínimo e em regime de outsourcing. “Durante os últimos 2 anos foram chamados de heróis, essenciais, linha da frente, receberam palmas à janela. Tudo muito justo, muito merecido, mas muito efémero – porque continuam a levar para casa salários baixos e contratos precários”.

Por entre críticas às propostas da direita para aumentar o “saque” dos grupos de saúde privados, um negócio que “vive das contratualizações com o Estado e a ADSE”, é “rentista e predador das falhas que o SNS acumulou depois de tantos anos de desinvestimento”, Bruno Maia responde com o “SNS, ideia que resulta, pessoas que contam, prova provada de que a ideologia liberal e o fanatismo do mercado livre são uma farsa que tem um e só um objetivo, engordar o negócio privado da saúde à custa das rendas do Estado e da saúde do nosso povo”. E para aplicar a Lei de Bases da Saúde, garantir a exclusividade dos profissionais do SNS e médicos de família a toda a população, será determinante a força do Bloco nesta eleição, pois “um Partido Socialista sem a força da esquerda não quer nada de esquerda”, defendeu o candidato bloquista.

Beatriz Gomes Dias: “Combater o racismo é promover a justiça e a segurança”

A candidata e vereadora bloquista em Lisboa Beatriz Gomes Dias  começou por referir alguns dos "compromissos de sempre” do Bloco, como o SNS, os salários, a emergência climática, a Escola Pública ou a justiça social. E a propósito dos apelos ao voto útil, tanto no PS como no PSD, questionou: “Este voto é útil para quem?”.

“Pensemos nas comunidades racializadas, nas comunidades afrodescendentes, migrantes e ciganas que vivem em bairros segregados, no avesso das cidades abandonadas pelos poderes políticos. Bairros onde faltam transportes públicos e serviços de qualidade; onde vivem pessoas que gastam diariamente horas em deslocações para um ou vários empregos precários e mal remunerados”, referiu, questionando de novo: “o voto nos partidos do bloco central é útil para estas pessoas?”. Para a candidata, “o voto útil é o voto nesta esquerda que olha para quem está nas margens, sejam elas físicas ou simbólicas, e as coloca no centro da sua ação política”.

Leonor Rosas evoca mobilização estudantil como “matéria-prima” para construir o futuro

Na sua intervenção, Leonor Rosas começou por evocar o cinquentenário do assassinato do estudante Ribeiro Santos, uma vida “arrancada pelo fascismo, pela ditadura sinistra que alguns tentam hoje reabilitar”, e a mobilização estudantil da crise académica que este ano comemora 60 anos e cuja memória “é a nossa matéria-prima” nos dias de hoje para construir o futuro.

A estudante e candidata pelo círculo de Lisboa lançou críticas à direita “dos cortes nos salários e subsídios, da Lei dos despejos, das privatizações ruinosas e das borlas para os milionários”. E contrapôs com as propostas que o Bloco trouxe à campanha, como as dos “100 mil fogos de habitação pública a preços acessíveis, limitação ao aumento das rendas, mais residências universitárias, o fim da propina ou o aumento de 10% do Salário Mínimo Nacional, revogação do alargamento do período experimental, fim dos falsos estágios e recibos verdes e transportes públicos gratuitos”.

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