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Netanyahu perde e quer governo de unidade, Gantz ganha e quer governo liberal

O ex-general Benny Gantz venceu as eleições israelitas com curta margem e poucas possibilidades de fazer uma coligação à sua medida. Sem maioria clara para qualquer um dos “blocos” opostos, Netanyahu propõe governo de unidade com chefia rotativa. Mas Gantz não o quer no seu governo.
Gantz, Netanyahu e o ministro da defesa da altura Ehud Barak juntos em janeiro de 2012.
Gantz, Netanyahu e o ministro da defesa da altura Ehud Barak juntos em janeiro de 2012. Foto de IDF/Flickr.

Passada uma década, Netanyahu parece ter perdido o controlo da política israelita. Acossado por uma acusação judicial por corrupção, aquele que foi o Primeiro-Ministro mais tempo no poder em Israel tentou na fase final da campanha eleitoral radicalizar ainda mais o discurso anti-palestiniano, prometendo anexar parte da Cisjordânia. Pretendia assim ganhar votos conservadores que lhe permitissem manter o leme do país. Sem sucesso.

Por uma pequena margem, Benny Gantz, antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e líder do recente partido Azul e Branco, terminou na frente das votações com uma curta margem de dois deputados. Só que os seus 33 deputados são poucos para obter uma maioria num parlamento com 120 lugares. Assim como o são os 55 que poderiam formar uma aliança contrária com o Likud de Netanyahu unido com os ultra-ortodoxos.

Face a esta situação, Netanyahu quis mostrar que a iniciativa ainda está do seu lado. Veio imediatamente a terreiro propor um governo de unidade e sugeriu uma solução de rotatividade do cargo de chefe de governo, lembrando o precedente de meados dos anos oitenta quando Yitzhak Shamir do Likud e Shimon Peres do Labour decidiram partilhar o lugar.

Gantz respondeu-lhe que governo de unidade só liderado por ele, recusou o pedido público de uma reunião já para esta quinta-feira e ripostou que “não se chega a negociações já com um bloco político”, uma referência ao anúncio do rival de que tinha já acordado a pertença dos partidos ultra-ortodoxos no governo. Durante a campanha, Gantz declarou mesmo que não se coligaria com Netanyahu devido às acusações de corrupção, apesar de não fechar as portas ao próprio Likud. E após os resultados deixou esse papel para outro dirigente dos Azuis e Brancos, Moshe Yaalon, que rejeitou Netanyahu dizendo que é tempo do Likud dizer a Netanyahu, “obrigado pelo que fizeste”.

Com as possibilidades de negociações limitadas e com o Likud a não dar até agora mostras de estar disposto a desfazer-se do seu líder, o cenário de uma terceira eleição não está excluído. Aliás, é à luz dessa possibilidade que se estão a ler as movimentações dos principais atores políticos do país.

Cabe agora ao presidente Reuven Rivlin nomear o candidato que considere que tenha as maiores possibilidades de formam um governo.

Do lado de alguns dos partidos mais pequenos, distingue-se o papel do ex-ministro de Netanyahu, Avigdor Lieberman do Yisrael Beiteinu, partido nacionalista secular, que tem oito lugares no novo parlamento. A sua recusa de entrar num governo encabeçado pelo Likud depois das eleições de abril foi uma das causas destas eleições. Agora apoia “um governo de unidade liberal amplo”. O apelo deste partido é a que a direita religiosa, que tem sido um apoio fundamental de Netanyahu condicionando as políticas do país, fique fora de um governo a três. Este partido, cujo nome significa Israel Nosso Lar, é de extrema-direita e é conhecido pela sua agressividade na questão palestiniana.

De fora ficará certamente a Lista Conjunta, uma coligação de partidos árabes que conquistou 13 deputados, sendo a terceira força mais votada. Já a esquerda cujos resultados foram modestos não é decisiva nestas movimentações políticas. O Labor-Gesher conseguiu seis deputados e a União Democrática cinco.

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