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Nepal incapaz de formar governo

O novo primeiro-ministro, Jhala Nath Khanal, do Partido Comunista do Nepal Unidade Marxista-Leninista não consegue chegar a acordo com o Partido Comunista do Nepal Unificado para pôr fim à crise política.
Novo primeiro-ministro do Nepal, Jhala Nath Khanal.

Não há nada, em toda a história, que se assemelhe à maneira nepalesa de fazer política. No dia 3 de Fevereiro, no que se esperava ser uma forma de amenizar a crise política nepalesa, foi eleito o novo primeiro-ministro, Jhala Nath Khanal, numa nova frente popular maioritariamente formada pelo Partido Comunista do Nepal Unidade Marxista-Leninista (UML) e o Partido Comunista do Nepal Unificado (maoísta), com o apoio de frágeis sectores burgueses. Desde Junho do ano passado, quando renunciou Madhav Kumar Nepal, também da UML, este permanecia como primeiro-ministro provisório, já que o parlamento nepalês não conseguia eleger um novo governante.

Passada a eleição, e quando todos esperavam o anúncio de um novo gabinete formado pelo UML e PcdoN (U), o que vemos é a total incapacidade desses senhores resolverem a crise política em que estão mergulhados, atolados ou sei lá que adjectivo podemos utilizar para explicar a actual situação. Ocorre-me a palavra insano, mas considero-a insuficiente. Poderíamos juntar delirante, demencial, assustadora, apavorante e ainda não seria uma caracterização adequada. O que ocorre desde a eleição de Khanal é uma verdadeira briga de foices no escuro, e à luz do dia, pelos cargos ministeriais. Não só os dois partidos estão numa encarniçada negociação, como também dentro da UML, de Khanal, se vive um total desacordo. Resta saber em nome de quem tudo isso está a ser feito.

O pomo da discórdia é o ministério do interior, disputado pelas duas agremiações. Mas isso é só a parte aparente da crise, como ela se manifesta. Após uma guerra popular que durou dez anos. Que levou ao derrube da monarquia nepalesa. Que levou à organização do campesinato pobre nas fileiras do exército guerrilheiro. Após diversas e poderosas greves gerais, como a greve revolucionária de Maio do ano passado, a revolução nepalesa, que é maior que esses senhores, que é maior que os partidos existentes, que é maior que o regime criado por esses políticos dementes, recusa-se a manter-se nos marcos de um regime democrático anémico e moribundo.

Os comunistas do UML e do PcdoN (U), estão no poder e recusam-se a seguir em frente. Querem fazer descer pela goela da história um regime burguês que a cada dia que passa se mostra mais inviável. Na actual situação mundial, nem mesmo os grandes capitalistas estão a conseguir manter a locomotiva capitalista nos carris. Mas no Nepal, um pais onde 90% da população não tem electricidade, onde vastas regiões do pais só são atingidas através de longas caminhadas, devido à inexistência de estradas, estes cavalheiros que se auto-intitulam revolucionários querem fazer crer que um desenvolvimento capitalista é possível

No Nepal de Fevereiro de 2011, as instituições políticas estão em completa crise e descrédito. Os partidos burgueses estão em crise e impotentes. As fileiras da esquerda estão em crise. O movimento sindical dividiu-se em duas organizações sindicais nos últimos dias. O principal partido, o PcdoN (U), maoísta, encontra-se em profunda divisão. Com a base, formada pelos homens, mulheres e adolescentes, que pegaram em armas durante a guerra popular, a exigir que os seus líderes cumpram as promessas revolucionárias que fizerem quando a guerra popular começou, em Thabang, em 1996. 

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