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“Não recuamos um milímetro na prioridade à habitação”

No comício da candidatura do Bloco em Lisboa, Catarina Martins recordou as promessas não cumpridas de António Costa sobre habitação. O tema é a prioridade para este mandato. “Quando a casa é sinal de medo e não de segurança sabemos que está tudo errado”, diz a coordenadora do Bloco.
Catarina Martins no comício de Lisboa. Foto de Ana Mendes.
Catarina Martins no comício de Lisboa. Foto de Ana Mendes.

A habitação foi tema forte esta quinta-feira no comício da candidatura do Bloco à Câmara Municipal de Lisboa. Catarina Martins não escapou ao tema e recordou o anúncio de António Costa, em 2018, de que nos 50 anos do 25 de abril “as carências habitacionais do país devem estar resolvidas”. Um anúncio que o “PS pode ter esquecido mas o Bloco não esqueceu”.

A coordenadora bloquista lembrou também o anúncio feito em 2017 de que seriam construídas 170 mil habitações em 2024, número trocado agora para apenas 26 mil “que não chegam sequer para assegurar casa a quem agora não tem” e que “não são para 2024 mas para 2026”.

Um recuo de um governo que se “colocou à sombra do Programa de Recuperação e Resiliência durante a campanha eleitoral”, prometendo “charters de euros a aterrar na Portela” como se isso “fosse a solução para os problemas”.

Em sentido contrário, o Bloco elege a habitação como prioridade para o próximo mandato autárquico. “Não esquecemos, não recuamos um milímetro. Toda a força que tivermos vai ser para cumprir este desígnio de termos habitação condigna para todos e todas neste país, que está ao nosso alcance”, diz Catarina. Quem ache que a habitação “já não é um problema, desengane-se”, vinca, acrescentando que “o último trimestre, o preço da habitação subiu 6,6%” e “continua a subir”.

O partido quer que hajam “casas a preços justos que quem trabalha, quem trabalhou toda uma vida, possa pagar” porque “quando a casa é sinal de medo e não de segurança sabemos que está tudo errado”. Compromete-se a regular o alojamento local “mas também os hotéis”, a introduzir obrigações de habitações para rendas acessíveis nas novas construções, a batalhar pela requalificação do parque municipal que já existe e por garantir que “em terrenos municipais as casas têm todas preços justos, preços que as pessoas podem pagar”.

A “campanha de quem gosta de Lisboa”

Catarina Martins saudou a candidatura do Bloco no concelho de Lisboa como uma “campanha de quem gosta de Lisboa, desta Lisboa, diversa, aberta, cosmopolita”. Mas “gostar da cidade luminosa, do encontro não significa não ver o que está mal, pelo contrário” já que é “urgente resolver problemas de quem aqui vive”. E Beatriz Gomes Dias será a melhor colocada para o fazer porque “para ela a igualdade é a condição primeira da democracia e da construção da cidade”.

A porta-voz bloquista revelou o “enorme orgulho do trabalho dos últimos quatro anos” na autarquia da capital em que “o Bloco provou que a política autárquica não tem de ser sempre igual”. Sinais disso foram as mudanças nas escolas, como acabar com o plástico, garantir que as crianças têm uma refeição cozinhada no próprio dia, as políticas de proteção à população em situação de sem-abrigo, o facto de ter sido o “único partido que em vinte anos teve a coragem de tirar do papel as salas de consumo assistido”, um “medida de saúde pública e vital para uma estratégia para a droga e acabe com consumo a céu aberto”, a implementação de medidas de transparência “nunca antes vistas” como o estudo do LNEC que diz que escolas devem ter obras, que obras e com que prioridade, elaboração de planos municipais de intervenção em áreas de saúde, sociais, os “concursos claros para as associações que são apoiadas”. Uma diferença que se sentiu “em todo o país” com a redução do preço dos passes e os manuais gratuitos.

O Bloco é a força que pode fazer com que o PS não tenha maioria absoluta no concelho e faz valer esse trunfo. Catarina Martins questiona: “quem em Lisboa é que quer uma maioria absoluta do PS? Os avanços que fizemos foram conseguidos onde não havia uma maioria absoluta”.

Aliás, esta é uma “pergunta que se fará por todo o país: acham mesmo boa ideia que o PRR seja gerido por uma maioria absoluta do PS, que vai garantir as condições de um investimento que mude as respostas ao país, que responda pela habitação pelos transportes ambiente igualdade?” A resposta que Catarina tem para dar é que “o poder absoluto será inimigo das conquistas concretas em nome da vida de quem aqui está”. Com a direita “derrotada”, a escolha a fazer dia 26 será mesmo essa: “se o PS tiver maioria absoluta não vai fazer o que não quis fazer até agora, vamos ver hotéis a florescer, o alojamento local desregulado, os vistos gold”.

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