“Não queria uma maioria absoluta do PS”

02 de fevereiro 2022 - 14:08

Sucedem-se as vozes nas redes sociais a expressar apreensão pela conquista da maioria absoluta por parte do Partido Socialista.

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António Costa na noite eleitoral. Foto de Miguel A. Lopes, Lusa.

“Os portugueses têm má memória de maiorias absolutas”, argumentava António Costa em 2019. Se isso não impediu o Partido Socialista de a obter, a má memória parece dominar as análises no rescaldo eleitoral.

A jornalista Constança Cunha e Sá sintetizou no Twitter uma linha preponderante nas reações aos resultados eleitorais deste domingo: “Eu queria uma vitória da esquerda, não uma maioria absoluta do PS”.

Estas preocupações foram veiculadas também por Ana Gomes, no debate de análise na Sic Notícias esta segunda-feira, onde argumentou que, perante uma maioria absoluta, os debates quinzenais deveriam ser repostos como garantia de “escrutínio democrático a bem do próprio Partido Socialista”.

Por seu lado, Carmo Afonso aponta para as razões de concentração de voto no PS. “Muitos portugueses não votaram numa maioria absoluta, votaram contra a ameaça de uma direita radicalizada”.

Num artigo publicado no El País, o politólogo André Freire argumenta que a proximidade entre PS e PSD - ou mesmo entre maiorias parlamentares renhidas entre esquerda e direita - sugerida pelas sondagens, “poderá ter levado muitos eleitores da esquerda radical a concentrar o seu voto no PS à última da hora, para evitar uma vitória da direita”.

A jornalista Lliliana Valente regista que, no discurso de vitória da noite eleitoral, António Costa assumiu que “milhares de pessoas de outros pensamentos se juntaram e garantiu que ia respeitar «fielmente» esses votos, que tinha sabido lê-los. Terá quatro anos para o provar”, conclui.

 

Seja como for, a maioria absoluta foi a forma de o Partido Socialista recuperar aliados no mundo financeiro. Em comunicado, a agência de rating Moody’s declara que o resultado é “um bom augúrio”, e manifesta-se satisfeita com o fim da geringonça.

Esta segunda-feira, também José Luís Arnaut, administrador da ANA aeroportos, bem como da Goldman Sachs, declarava “ser importante ter esta maioria absoluta”.

Um sentimento acompanhado pela confederações patronais, que congratularam o resultado do Partido Socialista como um sinal positivo que vai acabar com as "restrições" a medidas como a redução da Taxa Social Única bem como "uma política salarial mais consentânea com a realidade".