Está aqui

Não queira o PS ser o cicerone da direita

No comício nacional, Pedro Filipe Soares lembrou os valores da construção do Bloco, acusou Rui Rio de “normalizar a justiça no estado novo” e António Costa “para não insistir na ingovernabilidade com os partidos à esquerda para abrir a porta à direita”.
Pedro Filipe Soares intervindo no comício nacional do Bloco - foto de Pedro Almeida
Pedro Filipe Soares intervindo no comício nacional do Bloco - foto de Pedro Almeida

O líder parlamentar do Bloco, no comício nacional realizado em Lisboa neste domingo 23 de janeiro, lembrou que foi o Bloco que lançou a palavra “precariedade” na política portuguesa, “para explicar a exploração que os jovens sentiam na altura”.

Pedro Filipe Soares lembrou a seguir “como foi o Bloco que conseguiu desamarrar os nós todos que o conservadorismo, a homofobia, o machismo, a transfobia tinham e que impediam que direitos iguais fossem exercidos por todas e por todos”.

Recordou também como “foi o Bloco que colocou na agenda a luta pela igualdade de género” e como “nunca, ao longo de mais de 20 anos, nunca baixámos a guarda contra a oligarquia” e “sempre apontou o dedo aos poderosos do país”.

“Este não é um momento saudosista, mas é o momento de lembrarmos qual é a esquerda que aqui se reúne. Quais são os valores que nos juntaram e aqueles pelos quais nós conseguimos fazer uma transformação na sociedade que ainda não chegou ao fim”, sublinhou Pedro Filipe Soares.

Abordando os próximos e últimos dias da campanha e os debates que têm havido, o líder parlamentar bloquista alertou que a direita vai votar, “aquela direita dos negócios, que quer destruir os serviços públicos, colocar estudantes a pagar os seus cursos, destruir a estabilidade das pensões dando-as para o lucro dos mercados e terraplanar os direitos do trabalho porque para eles a exploração não deveria ter limites”.

Rui Rio normaliza a justiça do estado novo

Referindo que Rui Rio tinha feito na véspera uma tarde dedicada à justiça, Pedro Filipe Soares disse que o líder do PSD se queixou de ter entregado a todos os partidos um conjunto de ideias para a justiça e ninguém lhe tinha respondido. “Não é totalmente verdade”, disse o dirigente bloquista, apontando que o Bloco “disse que não concordava com aquilo”.

“Vocês lembram-se o que é que a direita fez na Justiça quando esteve no governo? Houve alguém que fechasse mais tribunais no país do que a direita PSD/CDS, quando estiveram no governo? Então querem dar acesso das pessoas à justiça e fecham os tribunais dos municípios onde as pessoas podem aceder?”, questionou criticamente.

O líder parlamentar do Bloco afirmou então que Rui Rio “foi absolutamente claro na sua ideia de justiça. Dizia ele e vou citar para não correr nenhum risco de errar nas palavras, dizia ele em Aveiro ontem à tarde: “Em termos de eficácia, a justiça piorou desde o 25 de Abril.”

“Doutor Rui Rio nós temos memória, nós sabemos o que era a justiça antes do 25 de Abril, sabemos qual era a eficácia dos tribunais plenários, em que os juízes não decidiam, mas era a pide que lá chegava com as sentenças. É essa a eficácia que quer da justiça? Sem direitos, sem liberdades, sem garantias”, acusou Pedro Filipe Soares, acrescentando: “Quando lhes cai a máscara percebe-se logo como são velhos nas ideias. Esta é que é a realidade”.

Lembrando o debate de Rui Rio com Catarina Martins e como nesse debate tentou normalizar o Chega, Pedro Filipe Soares acusou: “Este Rui Rio, homem genuíno e centrista, afinal não normaliza só André Ventura, normaliza a justiça do estado novo. E nós só temos uma coisa a dizer a esta realidade, a esta direita normalizadora do estado novo. Muito simples: Não passarão”.

Abrir à raposa a porta do galinheiro

“Mas camaradas, se a direita está animada, se está a sair contente à rua, se agora até consegue colocar o olho à espreita na porta do poder foi porque alguém lhe deu a mão quando estava metida no meio do pântano”, afirmou criticamente o líder parlamentar bloquista.

“Nós ouvimos, não esquecemos, ainda há poucas semanas atrás, dirigentes do PS a admitirem o bloco central e isso foi o início da lavagem da imagem da direita que a própria direita estava à procura. E foram esses dirigentes, com essa ideia do bloco central, que disseram que afinal eles não tão maus assim. Foi abrir à raposa a porta do galinheiro!”, criticou e apontou: “E se o PS não percebeu a armadilha que estava a criar, nós o que devemos dizer não é ao Partido Socialista, os seus dirigentes saberão o que fazem, mas é ao povo de esquerda: não caiam nessa armadilha. Dar essa normalização da direita é destruir tudo o que nós conquistámos a custo ao longo de décadas”.

Não queira o PS insistir na ingovernabilidade com os partido à esquerda”

Pedro Filipe Soares criticou o líder do PS, afirmando que “quando António Costa insistiu no erro fez algo ainda pior porque colocou todas as fichas à procura de uma maioria absoluta, que todas e todos sabem ser impossível, queimando as pontes à sua esquerda”.

Assinalando que quem constrói muros à esquerda “insiste na instabilidade e abre a porta à direita”, o dirigente do Bloco afirmou: por isso, “nós dizemos ao nosso povo: o Bloco de Esquerda é a força que impede a direita de chegar ao poder e não é uma frase sem história, foi isso que aconteceu em 2015 e vai acontecer em 2022”.

“Estes não são tempos para estados de alma, para maus humores. Errar é humano, assumir o erro é prova de inteligência. Não queira o PS ser o cicerone da direita, não queira o PS insistir na ingovernabilidade com os partidos à esquerda para abrir a porta à direita”, avisou Pedro Filipe Soares.

A concluir afirmou que “a direita só sairá vencedora se a esquerda não apresentar uma alternativa de governo estável que responda pelos salários, pelas pensões e pelos direitos. E essa alternativa passa pelo Bloco de Esquerda”.

Termos relacionados Legislativas 2022, Política
(...)