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“Não podemos voltar à política das maiorias absolutas que nos perderam”

Durante a sua intervenção no debate sobre o Estado da Nação, Catarina Martins afirmou que quem quer a maioria absoluta do PS são os patrões e os interesses privados, porque, para a maioria das pessoas, “o que conta é a continuação do combate às políticas da austeridade”.
Foto de Paulete Matos.

Relembrando que, em 2015, um milhão de eleitores impôs uma mudança política, Catarina enfatizou que “a política do medo e da ameaça foi derrotada”.

“Os anúncios sucessivos de cortes, as ameaças à 'peste grisalha' e os insultos aos 'piegas' que não saem 'da zona de conforto', deram lugar às medidas de recuperação de rendimentos, aos avanços no respeito pelas carreiras contributivas, à criação de emprego”, apontou.

Reagindo aos apelos de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, e de Carlos César, líder parlamentar e presidente do PS, no sentido de o PS obter uma “maioria absolutamente inequívoca” que permita ao partido governar “sem bloqueios”, a coordenadora bloquista afirmou que quem pede essas maioria absoluta não são os pensionistas, os cuidadores informais, os precários do PREVPAP ou os professores vinculados.

“Quem suspira pela maioria absoluta são outros”, sublinhou Catarina Martins. Quem pede uma maioria absoluta é a presidente executiva da Luz Saúde Isabel Vaz, “que ficou conhecida por defender que o negócio da saúde só perde em rentabilidade para o armamento” e quer evitar uma “solução governativa que ponha em causa as parcerias público-privadas”; é o CEO da Altice Alexandre Fonseca, “que quis despedir trabalhadores ilegalmente e garantia que o SIRESP funcionou a 100%”; é António Saraiva, “o patrão dos patrões”. E Manuela Ferreira Leite até já veio aconselhar a direita: O “PSD deve vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua”.

A dirigente do Bloco afirmou ainda que “quem pede uma maioria absoluta é quem comemorou quando o governo recuou, apoiado pelo PSD, na taxa contra a especulação, nas rendas elétricas ou na lei do trabalho. É quem teme uma nova Lei de Bases da Saúde porque quer continuar a alimentar o seu negócio privado com o orçamento público. São os que queriam a baixa da contribuição patronal para a Segurança Social ou a facilitação do despedimento, previstas no programa eleitoral do PS mas impedidas pela esquerda nestes quatro anos. São os patrões que fizeram tudo para travar o aumento do Salário Mínimo Nacional. São as empresas de trabalho temporário que detestam a nova lei de combate ao trabalho forçado, são quem não perdoa que trabalhadores estejam a ganhar processos em tribunal graças à nova legislação sobre transmissão de estabelecimento ou de assédio laboral”.

Por outro lado, “para a maioria das pessoas, esta esmagadora maioria de gente de trabalho e vidas tão duras, nada conta menos do que a maioria absoluta. O que conta é a continuação do combate às políticas da austeridade”.

“Não podemos voltar à política das maiorias absolutas que nos perderam. A responsabilidade política é procurar resposta aos problemas do nosso tempo”, defendeu Catarina Martins.

O Bloco assume essa responsabilidade e propõe-se a “construir os caminhos para fazer o que importa: democratizar a economia para vivermos sem medo, proteger o emprego, criar habitação acessível, salvar o Serviço Nacional de Saúde”.

“Voltássemos a 2015 e o Bloco faria tudo de novo. O que fizemos é o melhor guia para o muito que falta fazer”, rematou a coordenadora bloquista.

"Os anseios de uma maioria absoluta são apenas e só para regressar ao programa eleitoral do PS"

O líder parlamentar do Bloco reforçou que "a vida não começou nem acabou no programa eleitoral do PS e no seu cenário macroeconómico".

"E nunca estaríamos aqui se o PS tivesse cumprido o seu programa. Mantinha o congelamento das pensões, continuava a atacar por mais tempo salários com cortes inconstitucionais, manteria por mais tempo o peso dos imposto nos rendimentos do trabalho. O apoio que o consumo interno teve nunca teria acontecido e a economia nunca teria criado empregos e crescido como cresceu", afirmou Pedro Filipe Soares.

De acordo com o dirigente bloquista, "os anseios de uma maioria absoluta são apenas e só para regressar ao programa eleitoral do PS, que deixava que a austeridade, mesmo que de forma light, estivesse na vida das pessoas”.

Catarina Martins: "O que fizemos é o melhor guia para o muito que falta fazer."

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