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Não podemos continuar a fechar urgências do SNS para abrir hospitais privados

Após uma reunião com a administração do hospital Garcia de Orta, em Almada, sobre a situação da urgência de pediatria, Catarina Martins alertou que o problema da formação de especialistas, a degradação das carreiras e das condições de trabalho fazem com que os privados se tornem mais atraentes para os profissionais.

Durante o encontro com a coordenadora nacional do Bloco e com a deputada Joana Mortágua, a administração do hospital Garcia de Orta afirmou estar a tentar garantir uma majoração para contratar pediatras através das novas vagas que abrem.

Catarina Martins avançou que, de facto, para resolver a situação das urgências pediátricas do Garcia de Orta, que tem vindo a encerrar à noite e fim-de-semana por falta de profissionais, é preciso que “abram as vagas e contratar o quanto antes com a majoração para tentar que os médicos queiram vir para este hospital”.

Contudo, continuou a dirigente bloquista, é preciso compreender que, “para lá desta situação de urgência, temos de mexer nas carreiras do Serviço Nacional de Saúde”, fazendo “caminho para a dedicação plena e para a exclusividade no SNS”, o que implica a existência de carreiras mais atraentes, que respeitem os profissionais, e melhores condições de trabalho.

Segundo Catarina Martins, com a degradação das carreiras, os privados tornam-se muito mais atraentes para os profissionais, sendo que cerca de 20% dos pediatras quando acabam de se formar escolhem logo ir só para o privado. “Em Portugal, quase metade dos pediatras estão só no privado e não trabalham no SNS. O problema das carreiras é um problema grave”, salientou.

“A degradação do SNS faz com que muitos médicos escolham ir para outros países ou para o privado”, alertou ainda, sublinhando que em causa estão não só as questões salariais mas também o burnout a que estão sujeitos, face às condições de trabalho degradadas com que são confrontados todos os dias.

“Não podemos continuar a fechar urgências do SNS para abrir hospitais privados que só servem quem tiver dinheiro para lá ir”, vincou a dirigente bloquista.

Catarina Martins deu ainda destaque ao problema da formação de especialistas em Portugal, lembrando que o Bloco tem alertado para a necessidade da abertura de vagas para a formação de especialistas e para a abertura de vagas para contratação de especialistas mal eles sejam formados.

A coordenadora do Bloco sinalizou ainda que os atrasos nos concursos, que ascendem a meses de diferença, contribuem para que os médicos optem pelo privado ou por ir para o estrangeiro.

Reforçando que é preciso acabar com sangria de meios do SNS para os privados, Catarina Martins lembrou que, de acordo com a nova lei de bases da saúde, é obrigação do Estado proteger o SNS e fazer o caminho para carreiras de dedicação plena e exclusividade no SNS. A nova lei terá de ser regulamentada até fevereiro, garantindo estes princípios.

Nas declarações aos jornalistas, a dirigente bloquista fez também referência ao facto de esta terça-feira ser assinalado o dia do cuidador, assinalando que é por iniciativa do Bloco que existe hoje um estatuto do cuidador informal. “Agora precisamos de toda a regulamentação”, enfatizou.

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