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“Não podemos começar o próximo ano letivo nas condições em que fizemos este”

Catarina Martins manifestou preocupação com a forma como o Governo está a tratar o próximo ano letivo, criticando o facto de as escolas ainda não terem indicações sobre o que vai acontecer. Bloco propõe contratação de mais pessoal e agendou debate no parlamento.
Catarina Martins afirmou: “Não podemos começar o próximo ano letivo nas condições em que fizemos este, porque, por muito que elogiemos, e devemos elogiar, o esforço que foi feito, sabemos que não é assim que pode funcionar a escola”, Tondela, 20 de junho de 2020 - Foto de Nuno André Ferreira/Lusa
Catarina Martins afirmou: “Não podemos começar o próximo ano letivo nas condições em que fizemos este, porque, por muito que elogiemos, e devemos elogiar, o esforço que foi feito, sabemos que não é assim que pode funcionar a escola”, Tondela, 20 de junho de 2020 - Foto de Nuno André Ferreira/Lusa

A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou este sábado, aos jornalistas em Tondela: “Não podemos começar o próximo ano letivo nas condições em que fizemos este, porque, por muito que elogiemos, e devemos elogiar, o esforço que foi feito, sabemos que não é assim que pode funcionar a escola”.

Catarina Martins considerou que “é muito preocupante que as escolas ainda não tenham indicações sobre o que vai acontecer” e referiu que, no orçamento suplementar, Bloco “está a propor já a contratação de mais pessoal, porque as escolas precisam muito de pessoal para poderem funcionar com segurança no próximo ano letivo”.

A coordenadora bloquista sublinhou também que o partido agendou um debate potestativo para a próxima quarta-feira, 24 de junho, sobre o novo ano letivo, apontando que o Bloco quer “reduzir o número de alunos por turma, que é a única forma de garantir que as escolas funcionam com segurança face a uma pandemia” que não estará terminada em setembro. (aceda ao projeto de lei do Bloco, que “Estabelece um número máximo de alunos por turma no ano letivo de 2020/2021 na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário devido à pandemia da covid-19”.

A redução do número de alunos por turma, “também permite que aqueles alunos que foram mais prejudicados com o encerramento das escolas tenham mais acompanhamento para recuperarem aquelas aprendizagens em que não tiveram a hipótese de evoluir naquele tempo”, argumentou Catarina Martins.

É irresponsável Ministério da Educação não estar a discutir com ninguém”, diz Fenprof

“As escolas têm de se organizar e é absolutamente irresponsável por parte do Ministério da Educação não estar a discutir com ninguém”, critica a Fenprof, segundo o Expresso deste sábado.

Em declarações ao jornal, Mário Nogueira lembra que “se os alunos tiverem de estar a um metro e meio de distância, numa sala tipo, as turmas deixam de ter 25 a 30 alunos para ter 14”, apontando que uma das alterações fundamentais é a redução do número de alunos por turma.

Por sua vez, Filinto Lima da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas também considera “importante que os despachos saiam o mais depressa possível”, apontando que se “as escolas já estão superlotadas, onde terão espaço para colocar todos os alunos?”.

Segundo o jornal, para o próximo ano letivo há dois documentos fundamentais, que só costumam sair em julho: o Calendário Escolar e o despacho de Organização do Ano Letivo (OAL). Nos últimos anos têm sido documentos sem grandes alterações, o que não acontece devido às consequências da pandemia. O jornal refere que o Ministério da Educação só deve anunciar as medidas para o próximo ano, após terminar o atual, tendo fontes governamentais garantido que o seu “objetivo primário” é que o próximo ano letivo seja presencial “em todos os níveis de ensino”, mas aponta iguamente que estão também a ser traçados “outros cenários”, “para que seja possível dar uma resposta contundente a qualquer realidade que se afigure”...

O jornal diz que o Governo tem uma estratégia presencial, mas que se for necessário contratar mais professores não se sabe com que dinheiro, lembrando a falta de referências à Escola Pública no orçamento suplementar, havendo apenas um acréscimo de 400 milhões de euros, mas apenas para a escola digital.

O ensino presencial é o que “mais minimiza as desigualdades sociais existentes”, 93,5% dos professores considera que o ensino à distância agravou as desigualdades entre os alunos e 58,9% de professores e professoras criticaram a falta de apoio do Ministério da Educação, num inquérito conduzido pela Fenprof.

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