Está aqui

“Não há recuperação da economia sem recuperação dos salários”

Catarina acompanhou este sábado a manifestação nacional da CGTP. A coordenadora do Bloco defendeu que “é fundamental tirar os resquícios que a troika aqui deixou” e garantir “o reforço dos salários mais baixos, mas também dos salários médios”.
Foto de António Cotrim, Lusa.

De acordo com Catarina Martins, “não haverá recuperação da economia sem que haja uma alteração das relações laborais não só para para garantir o reforço dos salários mais baixos mas também dos salários médios”.

A dirigente bloquista lembrou as medidas da troika que se mantêm: “Como pagar menos pelas horas extraordinárias, ter menos dias de férias, ser mais barato despedir… Tantas regras que pressionam os salários para baixo”.

Catarina considera que “é fundamental tirar os resquícios que a troika aqui deixou para uma economia de baixos salários e, pelo contrário, puxarmos pela recuperação da economia com salários dignos para quem trabalha”.

“Para que as gerações mais novas pensem que podem aqui ficar a trabalhar com salários dignos. E que a emigração não continue a aparecer para tanta gente como a única forma de terem salários que possam responder pela sua vida. Para que não seja a precariedade a forma de toda a vida de trabalho”, apontou.

A coordenadora do Bloco realçou que este é um “momento fundamental para alterar as regras do jogo e respeitar quem trabalha”, e esta mudança “é para todas as gerações, para aquelas que têm há mais de 20 anos o salário congelado e para aquelas que começam agora a trabalhar”.

“Não há recuperação da economia sem recuperação dos salários”, frisou.

Lamentando que em Portugal se “trabalha tanto por tão pouco salário”, Catarina afirmou que o país “pode fazer muito melhor”. “Não há nenhuma razão para não se repor o pagamento das horas extra, para não se repor compensações por despedimento e para não se combater a precariedade de uma forma decidida. Não há nenhuma razão para não respeitar os trabalhadores por turnos, para não combater o outsourcing. Está nas mãos do poder político em Portugal alterar as regras para que os salários sejam dignos. E o governo não o quis fazer até agora”, vincou.

Milhares de manifestantes de todo o país encheram hoje a praça Marquês de Pombal, em Lisboa, na ação nacional convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) para exigir melhores condições laborais.

Os manifestantes iniciaram a marcha pelas 15h em direção à praça dos Restauradores, sob o lema “Avançar é Preciso! Aumento geral dos salários – 35 horas para todos – erradicar a precariedade – Defender a contratação coletiva”.

A intersindical marcou este protesto por considerar "urgente dar resposta às reivindicações dos trabalhadores, do setor público e do privado, resolvendo os problemas estruturais do mundo do trabalho - há muito identificados -, e cuja resolução se tem arrastado ao longo dos anos - baixos salários, precariedade, desregulação dos horários, normas gravosas da legislação laboral, entre outros".

Segundo a central sindical, a situação atual "exige a adoção de uma política que valorize o trabalho e os trabalhadores, nomeadamente com o aumento geral dos salários e das pensões, a valorização das carreiras e profissões, a erradicação da precariedade, as 35 horas para todos sem redução de salário e o combate à desregulação dos horários, a revogação das normas gravosas da legislação laboral".

A CGTP reivindica um aumento de 90 euros para todos os trabalhadores e a fixação de 850 euros para o salário mínimo nacional a curto prazo como forma de fomentar o crescimento económico.

Termos relacionados Política
(...)