“Nada justifica que uma pequena elite fique com a riqueza do país”

09 de abril 2019 - 22:02

Lembrando que o Bloco apresentou uma proposta para impor leques salariais, que foi chumbada pelo Governo, Catarina Martins questionou o executivo sobre se “fez alguma coisa” para limitar as diferenças remuneratórias entre os “gestores milionários” e os trabalhadores com salários baixos.

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Foto de Paula Nunes.

“Mais ou menos nesta época do ano, todos os anos, somos confrontados com as desigualdades salariais em Portugal e com o facto de os gestores em Portugal ganharem múltiplas vezes o que ganha cada trabalhador da mesma empresa, não havendo nada que justifique esta diferença salarial”, frisou a coordenadora bloquista, à margem de uma conversa com alunos da Faculdade de Direito da Universidade do Porto.

Catarina Martins reagia assim à notícia avançada pelo Jornal de Notícias, que assinala que os salários dos gestores são 52 vezes superiores aos dos trabalhadores.

“Não há responsabilidade, competência ou horas de trabalho de dois seres humanos que possam ter diferenças tão grandes para justificar estas diferenças salariais”, vincou.

De acordo com a dirigente do Bloco, “isto é uma pequena elite a ficar com a riqueza que é produzida em cada empresa contra a economia do país e contra os salários dos trabalhadores que produzem essa riqueza”.

Catarina Martins lembrou que, há cerca de um ano, fez uma proposta para impor leques salariais, que foi chumbada pelo Governo com a justificação de que ia levar à concertação social uma outra sobre mecanismo para limitar a diferença salarial entre “gestores milionários” face a trabalhadores com salários baixos.

“O que vemos é que passado um ano não conhecemos nenhuma proposta do Governo”, avançou a coordenadora bloquista, sinalizando que se trata de uma “vergonha” que ano após ano se repete.

A dirigente do Bloco defendeu que é preciso saber se o Governo “fez alguma coisa” como prometeu.