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Myanmar: pelo menos dezoito mortos na repressão das manifestações

Domingo foi o dia mais sangrento desde que os militares tomaram o poder há um mês. Esta segunda-feira, a ex-chefe do executivo deposta foi vista pela primeira vez desde o golpe, ao ser ouvida em tribunal.
Manifestantes em Rangum, Myanmar, um de março de 2021. Foto de NYEIN CHAN NAING/EPA/Lusa.
Manifestantes em Rangum, Myanmar, um de março de 2021. Foto de NYEIN CHAN NAING/EPA/Lusa.

O Gabinete de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas confirmou que a repressão a tiro das manifestações deste domingo em Myanmar causou 18 mortes e 30 feridos. A Associação para a Assistência dos Presos Políticos refere a detenção de 270 pessoas neste mesmo dia e, no dia anterior, a acreditar na televisão MRTV, controlada pelo regime, terão sido 479 presos.

Os manifestantes não se deixaram intimidar e esta segunda-feira milhares voltaram a sair às ruas. Em Rangum, a maior cidade do país, a polícia usou outra vez a força para dispersar os protestos, disparando balas de borracha, gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento.

Entretanto, a chefe de governo deposta, Aung Suu Kyi, compareceu em tribunal por via eletrónica. Enfrentava inicialmente duas acusações: ter importado ilegalmente seis walkie-talkies e violação das regras sanitárias por causa do coronavírus. Na audiência desta segunda-feira conheceu mais duas acusações: uma por ter publicado informação que pode “causar medo ou alarme”, uma disposição do código penal da era colonial, outra por ter supostamente violado uma lei de telecomunicações que requer licenças para equipamentos. Permanecerá presa e, em quinze dias, voltará a ser ouvida.

Provavelmente, nessa altura já se irá deparar com mais acusações. O novo homem forte do governo, o general Min Aung Hlaing, surgiu nos ecrãs da televisão estatal MRTV no domingo à noite para dizer que estão a ser investigados “abusos financeiros” por parte do governo deposto que teria desviado dinheiro que deveria ser para o combate à Covid-19. O general ameaçou ainda os funcionários públicos que se estão a recusar a trabalhar com o governo golpista e quem quer que colabore com o auto-proclamado governo no exílio. Também o jornal estatal Nova Luz Global de Myanmar optou pelas ameaças aos manifestantes, escrevendo que “ações severas serão empreendidas inevitavelmente” contra estes.

Faz um mês que um golpe militar depôs o governo eleito de Myanmar, alegando que as eleições ganhas de forma expressiva pelo partido de Aung San Suu Kyi tinham sido fraudulentas e que iria organizar um novo ato eleitoral. Desde então, apesar das proibições, da imposição do estado de exceção e dos cortes de acesso a redes sociais, as manifestações contra as forças armadas não têm parado.

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