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Myanmar: Monges budistas protestam contra a ditadura militar

Desde o golpe militar de fevereiro, a repressão dos movimentos democráticos fez mais de 1.100 mortos e cerca de 8.400 pessoas foram detidas arbitrariamente.
Cidade de Thantlang foi bombardeada por artilharia após protestos contra a ditadura. Foto via EPA/Lusa.
Cidade de Thantlang foi bombardeada por artilharia após protestos contra a ditadura. Foto via EPA/Lusa.

Dezenas de monges budistas pró-democracia concentrataram-se na segunda maior cidade de Myanmar, Mandalay, para protestar contra o golpe de Estado militar ocorrido em fevereiro passado.

O protesto foi organisado para coincidar com o 14.º aniversário da “Revolução Açafrão”, de 2007 quando os monges lideraram os protestos pró-democracia contra a ditadura militar durante três meses. Liderados por estudantes, sindicatos, ativistas e monges, os protestos pacíficos foram violentamente reprimidos com cerca de 30 mortes registadas.

Catorze anos depois, Myanmar está novamente sob controlo militar desde 1 de fevereiro deste ano, quando derrubaram o governo liderado por Aung San Suu Kyi.

Desde o golpe de fevereiro que se sucedem manifestações pró-democracia. Segundo a Associação de Assistência a Presos Políticos, a repressão dos movimentos democráticos fez mais de 1.100 mortos e cerca de 8.400 pessoas foram detidas arbitrariamente.

A 18 de setembro, a junta militar bombardeou a cidade de Thantlang, na fronteira com a Índia, destruindo 19 casas e provocando a fuga de 8 mil birmaneses. O ataque sucedeu-se a manifestações contra os militares. Um padre baptista foi assassinado a tiro pelos militares. 

O golpe militar de fevereiro dividiu a comunidade monástica birmanesa, com vários religiosos proeminentes a darem o seu apoio aos generais. Outros, juntaram-se à oposição à ditadura militar.

“Os montes que amam a verdade estão do lado do povo”, ouviu-se de um dos organizadores da manifestação deste sábado onde os monges apelaram à libertação dos presos políticos.

A junta militar libertou recentemente Ashin Wirathu, um monge extremista, xenófobo e anti-islamita que apoia os generais e tinha sido detido pelo governo de Aung San Suu Kyi sob acusações de sedição e discurso de ódio, em 2019, após uma campanha de Wirathu contra as reformas do governo que pretendiam limitar o poder dos militares.  

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