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Muro marítimo para proteger campo de golfe de Trump chumbado

As autoridades irlandesas chumbaram a construção de um muro marítimo destinado a proteger da erosão uma estância de golfe de Trump neste país. Em causa estão razões ambientais, uma vez que as dunas seriam danificadas.
Entrada da estância de golfe de Trump na Irlanda. Foto de Whoisjohngalt/wikimedia commons.
Entrada da estância de golfe de Trump na Irlanda. Foto de Whoisjohngalt/wikimedia commons.

O muro irlandês de Trump não vai avançar. O presidente norte-americano é dono de uma estância em Doonberg, Clare, na Irlanda que inclui um hotel e um campo de golfe. Trump, que se esforça por menorizar a existência das alterações climáticas, queria proteger o seu negócio da erosão marítima construindo uma barreira marítima na baía de Doughmore.

Mas esta quarta-feira, o Bord Pleanála, a instituição irlandesa responsável por analisar casos de planeamento, rejeitou a proposta devido aos estragos que acarretaria no habitat de dunas que envolve o resort.

Numa primeira versão, o muro de pedra teria 2,8 quilómetros de comprimento e vinte de largura, ficando cinco metros acima da linha de água. Depois dos protestos de ambientalistas e moradores locais, em dezembro de 2016 a proposta foi alterada, passando a pretender-se fazer duas barreiras

menos visíveis de 625 e 250 metros de comprimento e 38 mil toneladas.

Esta segunda proposta tinha tido autorização do conselho local em outubro de 2017. Dela a Trump Organisation fazia depender um investimento adicional de 40 milhões de euros em mais infraestruturas numa região em que é dos maiores empregadores. Só que as alterações não convenceram os ambientalistas, em primeiro lugar, e as autoridades de planeamento irlandesas, em segundo.

O Bord Pleanála “não está satisfeito”, considerando que o projeto poderia ter “efeitos adversos na área especial de conservação do habitat dunar das dunas Carrowmore ao nível da estrutura física, funcionalidade e abastecimento de sedimentos”.

O relatório de 178 páginas, da responsabilidade do inspetor de planeamento Stephen Kay, levanta ainda preocupações sobre a conservação da estrutura a longo prazo, para além do seu “significativo impacto negativo na paisagem e na qualidade visual da área”.

Os Amigos do Ambiente Irlandês, entre outras organizações ambientalistas, saudaram a decisão. O mesmo o fizeram os membros do clube de surf local. Ian Lumley, da mais antiga organização ambientalista do país, o An Taisce, declarou ao Irish Times que a decisão mostra a importância de ter “um órgão de recurso independente sobre planeamento que tome decisões com fundamento científico e ecológico” e obriga esta estância “a trabalhar com a natureza no futuro de modo a manter a estrutura e integridade ecológica do sistema dunar.

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