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“Mudar a ministra sem mudar a política não adianta absolutamente nada”

Em reação à demissão de Marta Temido, Catarina Martins lembrou que “a saúde tem sido um ponto de enorme divergência entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista” e que é fundamental investimento no SNS e fixar os profissionais.
Catarina Martins em conferência de imprensa. Fotografia: esquerda.net

Na madrugada de hoje, a ministra da Saúde, Marta Temido, apresentou a sua demissão ao primeiro-ministro, que já a aceitou. O Bloco de Esquerda reagiu a esta demissão em conferência de imprensa, realizada na sede nacional do partido. 

Catarina Martins começou por endereçar condolências à família da mulher grávida que teve uma paragem cardio-respiratória enquanto era transferida, em Lisboa, do Hospital de Santa Maria para o Hospital de São Francisco Xavier, tendo acabado por falecer; o bebé sobreviveu. Esta situação, que ocorreu na semana passada, foi tornada pública ontem. A coordenadora do Bloco afirmou que “esta tragédia não define o Serviço Nacional de Saúde nem os profissionais de saúde e não permite conclusões precipitadas”. 

Relativamente à demissão de Marta Temido, Catarina Martins afirmou que esta sai “num contexto de falta de capacidade do Serviço Nacional de Saúde e de dificuldade crescente de acesso da população aos cuidados de saúde”, uma situação “que não é nova” mas que “tem vindo a acelerar-se rapidamente”. 

A dirigente bloquista lembrou também que a política de Saúde “não é definida apenas pela ministra da Saúde mas sim por todo o Governo” e que “decisões quotidianas do SNS são tomadas no Ministério das Finanças”.

Lembrando que “o Bloco lançou diversos avisos sobre esta matéria e que a Saúde tem sido um ponto de enorme divergência entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista”, a coordenadora do Bloco apelou a que “não se continuem a adiar as decisões fundamentais para garantir que o Serviço Nacional de Saúde funciona e garante o acesso à saúde de toda a população nas melhores condições”. 

“O Governo tem vindo a adiar sistematicamente todas as condições para o Serviço Nacional de Saúde trabalhar. Não tem feito investimentos no Serviço Nacional de Saúde e tem perdido profissionais a cada dia que passa. Essa é a situação que tem que ser travada já” referiu Catarina, lembrando que “em Portugal há profissionais de saúde formados, com formação reconhecida internacionalmente, que não estão no Serviço Nacional de Saúde que estão a desistir do país ou mesmo da profissão e de que nós precisamos no Serviço Nacional de Saúde”. 

A coordenadora do Bloco afirmou que “há recursos financeiros para fazer investimentos estruturais no SNS para que este possa funcionar nas melhores condições. Adiar os investimentos, adiar carreiras que possam fixar profissionais no SNS tem sido a política do Governo e na verdade a demissão de uma ministra não resolverá o problema.”

“O que é urgente é que o Governo mude as suas políticas e, ao invés do que tem acontecido nos últimos anos em que, a cada ano que passa, o Serviço Nacional de Saúde perde profissionais e capacidade instalada, deve aumentar a capacidade instalada do Serviço Nacional de Saúde porque, como está à vista, é disso que a população portuguesa tanto precisa” afirmou Catarina Martins concluindo que “mudar a ministra sem mudar a política não adianta absolutamente nada”. 

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