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Movimento dos Trabalhadores em Arquitetura vai criar um sindicato

Simbolicamente, o 1º de Maio foi o dia escolhido para o anúncio de um sindicato que promete ter “espírito solidário, horizontal e plural” e organizar-se “pela base, com reflexão conjunta, participação alargada, procura de consenso e ação coletiva determinada”.
MTA no 1º de Maio. Foto do Movimento/Facebook.
MTA no 1º de Maio. Foto do Movimento/Facebook.

O Movimento dos Trabalhadores em Arquitetura escolheu o 1º de Maio para anunciar que vai iniciar o processo de criação do “primeiro sindicato de todos os trabalhadores” do setor. A partir do terceiro trimestre do ano, reuniões e plenários por todo o país debaterão a estrutura que pretende unir “arquitectos e arquitectos paisagistas, desenhadores e maquetistas, estagiários e demais trabalhadores do setor".

Em comunicado, a organização manifesta o seu “entusiasmo” pela decisão tomada. O MTA justifica-a dizendo que os trabalhadores do setor “sabem desde há muito que nenhuma organização existente é capaz de os representar”. Estes “conhecem há demasiado tempo promessas e proclamações inconsequentes em torno da defesa de uma prática com responsabilidade social, mas só reconhecem a irresponsabilidade de instituições que os deviam proteger e de empregadores que não garantem dignidade nem respeito pelo seu trabalho”.

Para além disso, “estão cansados de ouvir falar de uma disciplina com prestígio e valor insubstituível, enquanto assistem à deterioração da sua vida e ao desprezo pelo valor do seu trabalho, facilmente descartado e substituído”. E criticam: “fala-se de honorários, de concursos, de direito à arquitetura mas em momento algum se fala de aumento de salários, do direito à estabilidade, ao descanso, ao lazer e a uma vida digna para quem trabalhe em arquitetura”.

O movimento nasceu em fevereiro de 2019 e, desde aí, organizou uma série de debates sobre direitos e condições de trabalho destes trabalhadores. Já em fevereiro deste ano, divulgou os resultados de um inquérito a 555 trabalhadores que deu o retrato de um setor em que 87% das pessoas são trabalhadores dependentes que fazem um trabalho “altamente precarizado”, muitos a recibos verdes e auferindo um salário médio de 870,75 euros por mês, cem euros abaixo da média nacional estimada pelo Instituto Nacional de Estatística em 2018.

Durante este tempo, o movimento organizou-se “pela base, com reflexão conjunta, participação alargada, procura de consenso e ação coletiva determinada”, caminho que se promete continuar no novo sindicato que terá um “espírito solidário, horizontal e plural”.

A crise provocada pela pandemia é outro motivo para implementar o sindicato dado o agravamento das condições laborais. Esta fez com que os trabalhadores compreendessem “melhor a fragilidade” em que se encontram “mas também a importância de ter um espaço” seu, tomando consciência que “a cada novo vínculo precário, a cada despedimento ilegal, a cada situação de assédio ou discriminação, a cada desrespeito pelos nossos direitos, mais urgente se mostra o trabalho a que nos propomos”.

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