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Movimento de Vila Real continua a lutar pela preservação de edifício de Nadir Afonso

Após a Direção Geral do Património Cultural ter decidido arquivar o procedimento de classificação da antiga panificadora, o que suscitou uma pergunta formal do Bloco de Esquerda ao Governo, o Movimento Pro Nadir Afonso realizou na UTAD um evento pela defesa da preservação da obra do pintor e arquiteto.
A Panreal é um importante edifício da fase final do Movimento Moderno Português, único na zona de Vila Real - Fotos do blogue espacillimite.blogs.sapo.pt
A Panreal é um importante edifício da fase final do Movimento Moderno Português, único na zona de Vila Real - Fotos do blogue espacillimite.blogs.sapo.pt

A sessão, muito participada, começou com a apresentação do filme "Nadir Afonso - O tempo não existe" de Jorge Campos, deputado do Bloco de Esquerda e completou-se com um debate, em que estiveram presentes, além dos ativistas do movimento, Laura Afonso, viúva do artista, Mila Alves, professora da UTAD e primeira subscritora da petição "Vamos salvar o edifício da Panreal - projeto Nadir Afonso”, Artur Cristóvão, vice-reitor da UTAD, entre outras pessoas.

A Panreal é um importante edifício da fase final do Movimento Moderno Português, único na zona de Vila Real, e um dos escassos exemplos de obras arquitetónicas de um dos maiores nomes do panorama artístico do séc. XX. Apesar de Nadir Afonso raramente ser referenciado como arquiteto, esta é a profissão em que se formou e à qual dedicou grande parte da sua vida, tendo trabalhado com nomes da arquitetura moderna, como Le Corbusier, Óscar Niemeyer, Georges Candilis, Alex Josic, Shadrach Woods e Carlos de Almeida.

O abandono e avançado estado de degradação da panificadora tem vindo a suscitar indignação e ação por parte da população de Vila Real, mas foi o arquivamento do seu procedimento de classificação que voltou a suscitar novas iniciativas. Este arquivamento é publicado precisamente um ano após as demolições ilegais na fachada e cobertura do edifício que aconteceram após o pedido da sua classificação e que estão sob investigação.

Os contornos deste arquivamento suscitaram também a questão que o deputado Jorge Campos dirigiu recentemente ao Ministro da Cultura, confrontando o parecer da Direção Regional de Cultura do Norte com a decisão final da Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

Na decisão da DGPC podem ler-se duas justificações para o arquivamento, o facto de, após as demolições, o edifício já não reunir as características para uma classificação, e a oposição à classificação, tanto por parte do seu proprietário como da Câmara Municipal de Vila Real.

O abandono e avançado estado de degradação da panificadora tem vindo a suscitar indignação e ação por parte da população de Vila Real - Fotos do blogue espacillimite.blogs.sapo.pt
O abandono e avançado estado de degradação da panificadora tem vindo a suscitar indignação e ação por parte da população de Vila Real - Fotos do blogue espacillimite.blogs.sapo.pt

Já no parecer da Direção Regional de Cultura do Norte refere-se a importância singular do edifício e diz-se que a reconstrução é “perfeitamente possível”, existindo até o projeto original. Ainda neste documento consta a seguinte frase: “Tendo presente as recentes demolições ilegais, o eventual arquivamento do processo baseado no mau estado de conservação e perda de integridade, pode ser entendido como um sinal de que causar danos a um imóvel para impedir a classificação, compensa. É obviamente um mau sinal e um mau precedente, no quadro global das políticas de salvaguarda do património cultural”.

Neste sentido o deputado perguntou ao Governo se “Não receia que o arquivamento deste processo incentive a má conduta e destruição de património por parte de quem, tendo outros interesses, o não queiram preservar?”

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