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Motoristas de matérias perigosas avançam para greve ao trabalho suplementar

Após nova rotura nas negociações com a Antram, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas anunciou uma greve ao trabalho suplementar e fins de semana de 7 a 22 de setembro.
Greve dos motoristas de matérias perigosas
Greve dos motoristas de matérias perigosas. Foto Carlos Barroso/Lusa

Os motoristas afetos ao Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) estarão em greve entre os dias 7 e 22 de setembro. A paralisação abrange desta vez os fins de semana e o trabalho extraordinário. Os motoristas exigem o pagamento “das horas extraordinárias acima das nove horas e meia de trabalho diário” e que as mesmas “sejam pagas de acordo com o que se encontra tipificado na lei”. “Os trabalhadores não trabalharão de graça, nem existirão pagamentos por baixo da mesa, não tributados”, afirmou o presidente do sindicato, Francisco São Bento, esta quarta-feira em conferência de imprensa.

O sindicalista afirma que ficou provado que “as empresas funcionam com base no trabalho extraordinário destes trabalhadores”, alguns dos quais somam já “mais de 500 horas” extraordinárias.  

A reunião de terça-feira entre o SNMMP e a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) com a mediação do governo, terminou sem um acordo que permitisse avançar nas negociações. O porta-voz do SNMMP, Pardal Henriques, acusou a associação dos patrões de transportadoras de não querer “evitar uma possível greve por 50 euros".

"A única coisa que pedimos à Antram foi que as horas extraordinárias fossem pagas, porque as pessoas devem receber pelo trabalho que fazem. E pedimos que ficasse estabelecido isto hoje", explicou o porta-voz do SNMMP na noite de terça-feira, citado pela agência Lusa. Outra das exigências do sindicato foi o aumento “de um subsídio específico para 800 trabalhadores que manuseiam matérias perigosas". Mas a Antram recusou entrar em negociações com pré-condições, levando o SNMMP a pôr em marcha as formas de luta aprovadas no plenário do passado domingo.

"Nós não fazemos isto para agradar aos portugueses. As greves não existem para agradar aos portugueses", referiu, concluindo com a ideia de que "o principal objetivo é criar condições dignas" para os motoristas e não "uma questão de popularidade".

Do lado da Antram, o seu porta-voz responsabilizou o sindicato pelo fracasso da reunião. “Não é possível conversar com quem quer ir para a mesa de negociações com condições impostas”, declarou André Matias de Almeida.

Pelo governo, o ministro Pedro Nuno Santos também colocou o ónus da rotura negocial no lado do sindicato. “Tentámos por todas as vias fazer com que as partes deixassem cair as pré-condições. Uma das partes não quis, mas, obviamente, uma mediação tem como objetivo chegar a resultados, eles não podem ser impostos antes de a mediação se iniciar”, lamentou.

(Notícia atualizada às 14h40 com as declarações do presidente do SNMMP na conferência de imprensa)

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