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Morreu o jornalista Carlos Santos Pereira

Foi um dos jornalistas fundadores do Público e destacou-se pelas grandes reportagens e livros sobre a Guerra dos Balcãs.
Carlos Santos Pereira
Carlos Santos Pereira. Foto publicada no Jornal de Leiria.

Carlos Santos Pereira morreu este domingo aos 70 anos na sua casa em Ourém, noticiou o jornal Público, do qual foi um dos jornalistas fundadores e seu editor da secção internacional. Tal como o então diretor do novo diário, Vicente Jorge Silva, veio do semanário Expresso, onde já publicava as suas reportagens sobre a Europa de Leste.

Acompanhou de perto a Guerra dos Balcãs e antes disso as mudanças nos países de Leste antes da queda da URSS. A jornalista do Público Alexandra Prado Coelho lembra que Carlos Santos Pereira “era capaz de partir para uma reportagem, de um momento para o outro, levando apenas uma escova de dentes e uma muda de roupa”.

Desses anos de reportagens ficaram ainda vários livros, como “Da Jugoslávia à Jugoslávia - os Balcãs e a nova ordem europeia”, “Os Novos Muros da Europa” ou “Guerras da informação: militares e media em cenários de crise”.

Carlos Santos Pereira foi também chamado inúmeras vezes a espaços informativos na televisão para comentar assuntos relacionados com a situação nos países de Leste e a expansão da NATO, um tema que também seguiu de perto e com um olhar crítico para as suas consequências na geopolítica da região.

Numa entrevista ao Jornal de Leiria em 2016, questionado sobre qual a guerra que mais o tinha marcado, não teve dúvidas em respoder que fora a dos Balcãs. “Vivi este conflito, particularmente a questão da Kraina, muito por dentro, e não apenas como observador. Deixou-me marcas muito vivas”, disse o jornalista, acrescentando que “o conflito dos Balcãs abriu a era em que estamos agora” e teve uma importância crucial na perspetiva jornalística. “Queríamos denunciar e dar uma visão das coisas que não jogava com a linha da NATO e dos EUA. E como a questão da informação era ultra-sensível naquele conflito, havia pressões enormes”, recordou.

E m serviço para a agência Lusa, escreveu, entre outras, peças sobre os ataques e atentados no Afeganistão, os militares portugueses no Kosovo, a batalha de Guidage na Guiné Bissau, a violência no Iraque, bem como sobre a celebração dos 20 anos da queda do muro de Berlim. Carlos Santos Pereira foi ainda professor na licenciatura de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Tomar e dirigiu a pós-graduação de Média, Segurança e Defesa no ISCTE. Era licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mestre em História Contemporânea pela Universidade de Lisboa e em Estratégia pelo ISCSP.

Atualmente, Carlos Santos Pereira publicava artigos de opinião e análise para o Diário de Notícias. O último, de meados de abril, intitulava-se “O atoleiro afegão: de Gorbachev a Biden”. O diretor-adjunto do Diário de Notícias, Leonídio Paulo Ferreira, disse à TSF que tinha falado há poucos dias com o jornalista e que esperava o seu próximo artigo esta semana, sobre a situação no Médio Oriente.

O esquerda.net endereça à sua família e amigos as suas sentidas condolências.

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