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Morreu o cartoonista Mordillo

O argentino Guillermo Mordillo Menéndez morreu aos 86 anos em Palma de Maiorca. Ficou conhecido pelo seu humor caraterizado como humanista, fino, intuitivo, cândido e distanciado da atualidade política imediata.
Mordillo na Feira de Frankfurt em 2012.
Mordillo na Feira de Frankfurt em 2012. Foto de Smokeonthewater/wikicommons

Quase não usava palavras nos seus desenhos mas dizia muito. Esta característica distintiva do cartoonista Mordillo não terá começado por ser uma declaração estética ou existencial. Emigrado para França, as dificuldades na língua levam a que seja a imagem sozinha a ditar a mensagem. E assim foi sendo ao longo de toda a carreira. Brilhantemente como foi amplamente reconhecido.

Guillermo Mordillo Menéndez nasceu a quatro de agosto de 1932 na Argentina, filho de uma família de pai da Estremadura e de mãe das Astúrias. Formou-se como ilustrador em 1948 numa Escola de Jornalismo de Buenos Aires. Começou a trabalhar no estúdio de animação Burone Bruch. E, com 20 anos, tenta fazer vingar um estúdio próprio, o Estudios Galas. Para sobreviver, acumula durante anos o trabalho de desenhista com o publicitário. Ao mesmo tempo ilustra os contos de Perrault Schmid, Os músicos de Bremen e os Três Porquinhos.

Aos 23 anos foge da ditadura Argentina e muda-se para o Peru onde viveu cinco anos, trabalhando como desenhador para a empresa publicitária Mc Cann Erikson. Aí, ilustra outro clássico, as fábulas de Esopo.

Cartoon de Mordillo sobre a ditadura

Viveu ainda em Nova Iorque, onde ilustrou primeiro cartões de aniversário para a Hallmark Cards, depois trabalhou nos estúdios Paramount animando os filmes do Popeye e da pequena Lulu. Nos anos 60, fixou-se em Paris depois de uma passagem breve por Espanha onde não fica por causa da ditadura franquista. Começa a desenhar para a revista Le pelerin mas é um desenho publicado na Paris Match em 1966 que vai ser o começo de um percurso de reconhecimento internacional. A revista alemã Stern também publica os seus desenhos neste período inicial.

Desde os anos 80 que a sua residência passava, em parte do ano, por Mallorca. Foi aí que faleceu no sábado na sequência de uma indisposição. Nos últimos anos, dividia a residência nesta ilha com o Principado do Mónaco.

Os seus mais de dois mil desenhos publicados, cerca de 60 por ano, valeram-lhe uma série de prémios como, por exemplo, a Palma de Ouro de San Remo, o prémio de cartoonista do ano de 1977 no salão internacional de Montreal e o prémio Phoenix de 1973, o prémio Yellow Kid de 1974, o prémio Nakanoki de 1977, ou o prémio Konex em 1992, a medalha de ouro da Associação de Cartoonistas Argentinos.

Foi, ainda, presidente da Associação Internacional de Autores de Comics e de Cartoons e integrou a equipa do Museu do Humor de Buenos Aires.

Possuidor de um traço arredondado e simples reconhecido imediatamente e com marcas de assinatura como os grandes narizes, nos seus desenhos respirava um humor caraterizado como humanista, fino, intuitivo, cândido, distanciado da atualidade política imediata.

Paixões como os animais, nomeadamente as girafas e os elefantes, o golfe e o futebol eram aí retratados com frequência.

Dizia que Walt Disney e Buster Keaton eram inspirações. Dizia-se que do primeiro trouxe os narizes grandes, da Branca de Neve e os Sete anões. Do segundo, o absurdo e o silêncio.

Para além dos inúmeros desenhos dispersos por várias publicações e dos mais de 40 livros, deixou-nos um site onde podemos fazer uma excursão pelo seu universo.

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