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Morreu Kalidás Barreto, fundador da CGTP

O sindicalista tinha 88 anos. Foi um lutador anti-fascista, deputado constituinte, dinamizador local, dirigente e ativista em várias associações.
Kalidás Barreto intervém nas comemorações do Primeiro de Maio da CGTP. Foto de Manuel Moura/Lusa.
Kalidás Barreto intervém nas comemorações do Primeiro de Maio da CGTP. Foto de Manuel Moura/Lusa.

Luís Maria Kalidás da Costa Barreto faleceu esta sexta-feira aos 88 anos em Castanheira de Pera.

Kalidás Barreto tinha nascido em 1932 em Montemor-o-Novo mas cedo a sua família foi para aquela vila do distrito de Leiria onde se radicou e trabalhou como contabilista de várias fábricas têxteis.

Era filho de Emília do Carmo Costa e do poeta, escritor e intelectual republicano de de origem goesa Adeodato Barreto. E estudou no Curso Complementar de Contabilidade e Comércio. Desde a juventude envolveu-se no combate anti-fascista e esteve ligado à Juventude Operária Católica. Fez, por exemplo, em 1958, parte da comissão de apoio à candidatura do general Humberto Delgado à Presidência e organizou na sua região a CDE nas eleições de 1969.

Enquanto sindicalista, participou na fundação da CGTP em 1970 e foi seu dirigente, assim como do Sindicato dos Têxteis do Centro, da Federação dos Sindicatos Têxteis e da União dos Sindicatos de Leiria. Foi ainda conselheiro técnico de missões portuguesas à Organização Internacional do Trabalho. Foi provedor do associado do Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres.

Depois da revolução dos cravos foi deputado à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista e o primeiro presidente eleito da Assembleia Municipal de Castanheira de Pera, em 1976. Em 1978 participou na fundação da União da Esquerda para a Democracia Socialista. Em 1985 fez parte da Comissão Política da candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo à Presidência da República. Depois disso fez parte das Comissões de Honra das candidaturas de Mário Soares em 1991 e de Jorge Sampaio em 1995 e em 2000.

Kalidás Barreto teve também uma rica intervenção local, participando em instituições como os bombeiros ou a filarmónica, foi colaborador assíduo da imprensa local da sua região, redator do jornal “O Castanheirense” e fundador, em 1997 do Encontro dos Povos da Serra da Lousã. Dedicou-se à história regional e nesse âmbito publicou vários livros. Também o fez sobre a história do movimento operário da indústria têxtil.

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