Faleceu esta quarta-feira, com 101 anos de idade, Jaime Serra, dirigente do PCP e resistente antifascista.
O histórico militante comunista nascera a 22 de janeiro de 1921 em Lisboa. Era filho de um estivador anarco-sindicalista, ativista sindical e membro da Associação de Classe dos Trabalhadores do Tráfego do Porto e de Lisboa. Aos 12 anos, depois daquele ter morrido num acidente de trabalho, Jaime Serra abandonou os estudos e começou a trabalhar na construção civil no Barreiro. Alguns anos depois passou a ser operário traçador naval no Arsenal do Alfeite. Em 1947, devido à sua militância, passa à clandestinidade quando já era casado e tinha uma filha.
Nessa altura já era militante do PCP há mais de uma década. A influência de um colega no seu primeiro trabalho e das revoltas operárias de 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande tê-lo-ão influenciado a entrar no partido no qual milita, inicialmente, na Juventude Comunista e no Socorro Vermelho Internacional.
A 24 de janeiro de 1937 é preso pela primeira vez por estar na posse do jornal Avante! e é espancado no Governo Civil de Lisboa. É a primeira de várias prisões. A segunda é em 1949. É levado para a Cadeia do Aljube e torturado durante meses. Depois, transferido para o Forte de Peniche. A 3 de novembro de 1950 foge da prisão. Quatro anos depois voltaria a ser preso, desta feita em Caxias. Em março de 1956, volta a fugir. Outros dois anos volvidos e volta a ser preso. A 3 de janeiro de 1960 é um dos dez comunistas que participam na célebre fuga de Peniche.
Em 1952, Jaime Serra entra no Comité Central do PCP e integra-o até 1996. Defende numa carta a este órgão em 1970 a necessidade de empreender ações armadas sem derramamento de sangue. Torna-se portanto um dos dirigentes da Ação Revolucionária Armada, uma organização semi-autónoma do partido que deixa de estar ativa em 1973.
A ARA faz algumas ações de sabotagem como a da base aérea de Tancos que conseguiu destruir 28 aviões ou a da central de telecomunicações nacionais e internacionais durante a conferência ministerial da NATO.
Depois do 25 de Abril, Jaime Serra é deputado na Assembleia Constituinte. Até 1983, é eleito deputado na Assembleia da República. Escreve ainda vários livros sobre a sua vida, entre os quais “Eles têm o direito de saber”, “As explosões que abalaram o fascismo” e “12 Fugas das Prisões de Salazar”.