Destacado ensaísta, Eduardo Lourenço era professor, filósofo, escritor e crítico literário.
Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Alta. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra, em 1946, tornou-se assistente e publicou "Heterodoxia" em 1949.
Foi Leitor de Cultura Portuguesa nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, em Montpellier e no Brasil, e veio a fixar-se na cidade francesa de Vence, em 1965, com atividade pedagógica nas principais universidades francesas. Foi também conselheiro cultural da Embaixada Portuguesa em Roma.
É autor de mais de 40 títulos, tendo desde sempre "um olhar inquietante sobre a realidade", como destacaram os seus pares.
Algumas das principais obras são “O Labirinto da Saudade" e "Fernando, Rei da Nossa Baviera" e, de entre os diversos prémios que recebeu destacam-se o Prémio Camões (1996) e o Prémio Pessoa (2011). Tinha diversas condecorações em Portugal e em França.
"Na verdade, falo de mim em todos os textos", disse Eduardo Lourenço sobre a sua obra, citado pelo Centro Nacional de Cultura, nas páginas que lhe dedica online. "Cada um dos assuntos por que me interesso daria para ocupar várias pessoas durante toda a vida. [Mas como] não possuo vocação heteronímica, tenho procurado encontrar um nexo entre as minhas diversas abordagens da realidade".
Sobre Eduardo Lourenço, escreve hoje Francisco Louçã no facebook:
“Será lembrado como o ensaísta mais marcante das últimas décadas, e era-o. Será venerado como um exigente europeista, que não cedia ao maniqueísmo financeiro, e era-o certamente. Será homenageado como um pensador da esquerda e um criador de pontes, como era. E deve ser recordado como um ser humano excepcional, de amizade inquebrantável e fiel às interrogações que nos levam para a frente. Adeus, Eduardo”.
“Homem carinhoso, disponível, sempre inquieto e presente”, destaca Catarina Martins no twitter:
Eduardo Lourenço
1923-2020
Filósofo, ensaísta, professor, pensador imprescindível. Homem carinhoso, disponível, sempre inquieto e presente. ObrigadaVitorino Coragem pic.twitter.com/2w1snfnuc9
— Catarina Martins (@catarina_mart) December 1, 2020
“Um pensador generoso e atento, um construtor de pontes em tempos de incerteza”, sublinha Marisa Matias no twitter:
Perdemos hoje um intérprete ímpar da nossa singularidade, um pensador generoso e atento, um construtor de pontes em tempos de incerteza. Na falta que nos fará, encontremos na sua obra as pistas para um futuro mais justo.
Obrigada, Eduardo Lourenço.Foto de António Pedro Ferreira pic.twitter.com/JGQiJlPpQ2
— Marisa Matias (@mmatias_) December 1, 2020
Notícia atualizada às 13h35 de 1 de dezembro de 2020 e às 17h 50