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Moratórias têm de ser estendidas sob pena de desastre social, afirma Farinha Rodrigues

O economista e especialista em pobreza Carlos Farinha Rodrigues teme que “o pior ainda esteja para vir", em termos sociais. Este sábado, a coordenadora do Bloco de Esquerda também defendeu a “extensão das moratórias de créditos à habitação”.
Farinha Rodrigues defende a extensão das moratórias do crédito à habitação . Foto Paulete Matos
Farinha Rodrigues defende a extensão das moratórias do crédito à habitação . Foto Paulete Matos

Em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena Um e do Jornal de Negócios, Carlos Farinha Rodrigues alerta: "Em termos sociais eu tenho muito receio de que o pior ainda esteja para vir".

O economista propõe que o fim das medidas de emergência seja articulado com o momento de recuperação económica, salientando o caso das moratórias do crédito.

"Pensemos num exemplo simples: a questão das moratórias em relação ao crédito. Claro que quando foram definidas tinham um horizonte temporal definido. Mas tinham um horizonte temporal definido numa altura em que nem sequer se antecipava que em janeiro deste ano íamos ter uma crise pandémica ainda muito mais forte do que tivemos em março/abril do ano passado", sublinhou Farinha Rodrigues, acrescentando que a cessação das medidas “tem de ser articulada com o próprio processo de recuperação económica, sob pena de termos um desastre social".

O professor de Economia reconhece que "uma parte muito expressiva dos efeitos da crise "foram atenuados ou adiados com as políticas públicas" e avisa que a retirada das medidas tem de ser feita com especial cuidado.

As memórias bancárias vão terminar por fases, a 31 de março deste ano (moratória privada de crédito à habitação criada pelos bancos), a 30 de junho (moratória privada de crédito ao consumo) e a 30 de Setembro (moratória pública).

Bloco quer extensão das moratórias de créditos à habitação

Este sábado, Catarina Martins defendeu a extensão das moratórias do crédito à habitação, no comício virtual dos 22 anos do Bloco de Esquerda, sublinhando que “não é aceitável que, quem tanto perdeu com a crise, perca também a casa com o fim das moratórias”.

“É necessário garantir que todas as moratórias são estendidas, porque a crise está longe do fim, é necessário garantir também que o seu prazo acompanha a efetiva recuperação. Para as famílias como para as pequenas empresas. Se as moratórias forem cessadas antes de haver recuperação económica, teremos uma enorme vaga de despejos e falências”, alertou a coordenadora do Bloco, defendendo que é necessário “preparar um grande programa de recuperação das dívidas para as empresas e pessoas em dificuldades, com planos de reestruturação ajustados, e a prioridade de proteger a morada de família”.

Catarina Martins avisou que as moratórias sobre as hipotecas da Associação Portuguesa de Bancos terminam já em março próximo, recordou que o governo tinha prometido transferir estas moratórias para o Estado, o que não aconteceu. As moratórias do Estado terminam em setembro.

E, a coordenadora bloquista apelou a António Costa: “não espere que seja tarde demais; não espere pelo início da vaga de despejos e falências. As moratórias têm de ser estendidas já.

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