De 15 a 17 de Maio, a conferência "Para além do crescimento 2023" vai juntar os Presidentes da Comissão Europeia, do Conselho e do Parlamento Europeu, académicos e peritos de alto nível, responsáveis políticos de todas as instituições da UE, representantes de organizações da sociedade civil e de cidadãos. No centro dos debates estará a forma como a nossa sociedade pode ultrapassar a abordagem do crescimento do PIB nacional como medida de sucesso e como devem mudar as abordagens das instituições europeias e nacionais em relação à economia, governação e ambiente.
A eurodeputada bloquista Marisa Matias é uma das coorganizadoras desta conferência e vai presidir na segunda-feira ao painel “Para além do crescimento, para além da Europa: Que políticas e parcerias?”, com investigadores das universidades de Barcelona, Texas, Carleton e do Trade Collective.
Este domingo, Marisa e outros 17 eurodeputados dos grupos da Esquerda, Verdes, Socialistas, Populares e Liberais assinam um artigo de opinião publicado em Portugal pelo Expresso onde assumem ter "diferentes perspetivas sobre como alcançar uma economia para além do crescimento". No entanto, todos concordam com a urgência da questão e também com a necessidade de "um sistema económico que dê prioridade ao bem-estar humano e à sustentabilidade ecológica sobre o crescimento do PIB, que reconheça que o crescimento infinito num planeta finito é impossível e que precisamos de encontrar novas formas de organizar as nossas economias sem depender da exploração contínua dos recursos e do aumento constante da produção e do consumo".
Os eurodeputados apelam a "um maior pluralismo do pensamento económico nas instituições da UE e ao seu alinhamento com as provas científicas das ciências climáticas, ecológicas e sociais", que os modelos económicos sejam mais diversificados e "legíveis para os cidadãos" e que os processos de tomada de decisão "sejam alinhados com os nossos objetivos políticos comuns, e não com base na variação dos valores do PIB".
"Ir para além do crescimento não é apenas desejável, é essencial".
"A procura do crescimento a todo o custo criou um sistema económico global frágil e vulnerável a choques", aponta os eurodeputados, recordndo as crises financeiras de 2008 e a pandemia do covid-19. Por outro lado, registam que essa ênfase no crescimento económico não se traduziu na redução das desigualdades, mas pelo contrário no aumento da concentração da riqueza. Criticam ainda que o atual modelo esteja assente "no esgotamento dos recursos naturais, na destruição da biodiversidade e na acumulação de resíduos e poluição", tendo por consequência maiores riscos para a saúde, para as economias e as sociedades em geral, além de conduzir a "um aquecimento global catastrófico".
Por estas razões, como afirmam no título do seu artigo, "ir para além do crescimento não é apenas desejável, é essencial". E para isso defendem uma nova estratégia global para a economia europeia, baseada nos princípios da sustentabilidade ecológica, da justiça social e do bem-estar, a elaboração de políticas assentes em indicadores que meçam o progresso para além do PIB e usem modelos macroeconómicos "que visem o respeito dos limites do planeta e a melhoria do bem-estar social, e no desenvolvimento de instrumentos de orçamentação ecológica e de género".