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Ministro da Cultura não considera graves as declarações de Celeste Amaro

As declarações da diretora regional da Cultura do Centro, elogiando uma companhia de teatro por esta não ter apoios estatais, indignaram a comunidade artística, que pediu a sua demissão. O Bloco de Esquerda já apresentou um requerimento ao Ministério da Cultura.
Grupo de teatro já fez saber que convidou Celeste Amaro como "desespero de causa" e para mostrar as dificuldades em que se encontra. Foto de Carlos Jorge Monteiro, jornal Diário das Beiras.

"Como é possível? Ainda por cima na área do teatro. Foi algo que me tocou bastante. É uma lição de como um grupo de teatro profissional, com três atores, que se dedica de corpo e alma ao seu trabalho, vive sem pedir dinheiro, não incomoda a administração central", são estas as declarações de Celeste Amaro, diretora regional da Cultura do Centro, que estão a causar polémica e indignação.

As declarações surgiram na sequência da presença de Celeste Amaro na apresentação do programa da companhia Leirena Teatro, na cidade de Leiria, na qual a diretora regional elogia o grupo por não pedir apoios estatais. 

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, considera que as declarações da diretora regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro, não têm "a gravidade que lhes estão a atribuir".

"As declarações da senhora diretora, feitas num contexto que não era propriamente público, e como as explica, não me parece terem a gravidade que lhes estão a atribuir", afirmou o governante à Lusa.

As declarações de Celeste Amaro já motivaram um requerimento do Bloco de Esquerda ao Ministério da Cultura, e uma exigência de demissão por parte de vários artistas da região.

"A senhora diretora da Cultura do Centro teve oportunidade de esclarecer o alcance das declarações que fez, num contexto que, penso, não seria propriamente público, mas são declarações que fez", explicou o ministro Luís Filipe Castro Mendes.

Segundo Castro Mendes, Celeste Amaro explicou que as declarações "tinham como objetivo elogiar a capacidade da organização do teatro leiriense em poder ter feito aquelas realizações sem recorrer a subsídios", e que "não era intenção [sua] pôr em causa a política do Governo nem os outros artistas que precisam de subsídios”.

Num comunicado enviado à agência Lusa, Celeste Amaro disse que, "em circunstância alguma", quis "pôr em causa o trabalho desenvolvido por todos os profissionais de teatro, independentemente das formas que encontram para financiar a sua atividade”.

Entretanto, o Manifesto em Defesa da Cultura e vários artistas lançaram uma petição pública na qual exigem a demissão de Celeste Amaro. Na petição, dirigida ao ministro da Cultura, os subscritores "repudiam as declarações da diretora regional da Cultura e afirmam que, em face da atitude que elas revelam, Celeste Amaro não tem condições para continuar no cargo”.

A Leirena Teatro, que informou, entretanto, ir apresentar uma candidatura à Direção-Geral das Artes, para obter financiamento, disse também que não convidou Celeste Amaro para mostrar ter feito programação "sem subsídios" nem para se "comparar a nenhuma outra estrutura", mas sim como "desespero de causa", para dar a conhecer a programação para 2018 e mostrar as dificuldades em que se encontra.

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