Está aqui

Ministra da Saúde quer SNS a recorrer (mais) a privados

Moisés Ferreira contrapõe que “isso premeia quem falhou ao país” uma vez que o SNS fica com o que “é complexo, cansativo e mais perigoso” e “paga-se aos privados para fazer o mais simples e lucrativo”.
Marta Temido fala ao parlamento esta quinta-feira. Foto de Miguel A. Lopes.

A ministra da Saúde, Marta Temido, declarou esta quinta-feira que o Serviço Nacional de Saúde irá, depois da fase mais aguda da pandemia, recorrer mais a privados. Uma intenção que “existe, é clara e vamos accioná-la”, realçou.

Num podcast produzido pelo Partido Socialista, a governante considerou que o SNS não será “capaz sozinho” de recuperar da atividade suspensa. A solução que preconiza não é o reforço deste mas mais contratualização com os privados.

Isto apesar de reconhecer que “há áreas em que o SNS é o único que consegue responder” e que foi este que esteve disponível “nestas semanas, em que recebeu a denúncia de várias convenções,”

Marta considera que “a lógica do SNS” é “a do guarda-chuva que protege todos, independentemente da sua capacidade de pagar”. E sobre a relação com os privados afirmou que “houve posicionamentos distintos, não de todos os atores, mas de alguns, que poderão ter tido as suas razões para esses comportamentos, mas que mostraram o que sabemos, que no final do dia não temos todos os mesmos objetivos.” “Não tenho ideia de que quem opera no mercado tenha comportamentos unicamente movidos pelo altruísmo”, acrescentou, destacando ainda que houve privados “que se mostraram disponíveis para ajudar”.

O deputado bloquista Moisés Ferreira mostra-se muito menos complacente para com a atitude dos privados na saúde. Numa reação a estas declarações feita nas suas redes sociais questionou: “final premeia-se quem falhou ao país e aos utentes? Cansa-se o SNS com o que é complexo, cansativo e mais perigoso e paga-se aos privados para fazer o mais simples e lucrativo?”

Para ele, “este não é o caminho” que passaria ao invés pelo “reforço do SNS”.

Termos relacionados #SomosTodosSNS, Política
(...)