"Mini-cimeira" não afasta receios sobre crise da zona euro

17 de agosto 2011 - 2:12

Num dia de más notícias sobre o desempenho das economias alemã e francesa no segundo trimestre, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy defenderam um governo económico para a zona euro. E este último admitiu pela primeira vez a emissão de obrigações de dívida europeia, "mas só no fim do processo" de integração.

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A economia alemã cresceu 0,1% no segundo trimestre do ano, quando as previsões apontavam para 0,5%. França e Portugal ficaram na mesma.



As principais figuras da política alemã e francesa juntaram-se durante duas horas em Paris esta terça-feira e no fim abordaram algumas propostas que farão aos restantes países membros da zona euro. Na conferência de imprensa, a única concretização dos anúncios feitos foi mesmo a do nome de Herman Van Rompuy, actual presidente do Conselho Europeu, para dirigir um futuro governo económico da zona euro que responda à crise da dívida. Durão Barroso e o comissário Olli Rehn já vieram saudar a escolha de franceses e alemães.



Na prática, um governo económico deste tipo exigiria, no entender da Alemanha e da França, uma uniformização das políticas orçamentais dos vários Estados. Merkel e Sarkozy regressaram à ideia de inscrever no texto constitucional dos países da zona euro um compromisso pela redução do défice e equilíbrio orçamental e anunciaram o objectivo de harmonizarem o imposto sobre o rendimento das empresas dos dois países em 2013. Outra promessa que voltou ao discurso de Sarkozy foi a da introdução duma taxa sobre as transações de capitais. Mas a sua concretização ficou novamente adiada, desta vez para Setembro.



Quanto à solução da emissão das eurobonds - as obrigações de dívida europeia com um juro suportável pelos países actualmente amarrados a uma dívida impagável -, os dois líderes voltaram a afastar essa hipótese. Mas ao contrário de Merkel, pressionada na Alemanha contra esta solução, Sarkozy admitiu-a pela primeira vez. "Podemos pensar nisso, mas só no fim do processo de integração da zona euro, não no princípio", disse o presidente francês.



O reforço do fundo de estabilização financeira também foi recusado nesta "mini-cimeira" franco-alemã, prevista desde Julho mas agora ensombrada pelas notícias sobre o desempenho económico dos dois países. A economia alemã cresceu 0,1% no segundo trimestre do ano, quando as previsões apontavam para 0,5%. A média do crescimento da zona euro neste período foi de apenas 0,2%, o mesmo valor registado pela Espanha e pelo conjunto dos países da União Europeia. Esta desaceleração do ritmo de crescimento na Alemanha pode comprometer as metas da sua economia crescer acima dos 3% este ano. Quanto à França, teve uma evolução semelhante à portuguesa, ou seja, variação nula.

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