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Milícias apoiadas por Erdogan torturam até à morte no norte da Síria

Pelo menos cerca de 40 pessoas terão sido mortas por estes grupos nos últimos quatro anos, revela um relatório do Observatório Sírio de Direitos Humanos. Há organizações de defesa dos direitos humanos que dizem tratar-se de uma limpeza étnica na região.
Manifestação contra a invasão tuca de Afrin em Oslo, 2019. Foto de GGAADD/Flickr.
Manifestação contra a invasão tuca de Afrin em Oslo, 2019. Foto de GGAADD/Flickr.

Chamam-se Divisão Hamza, Ahrar al Sharqiya ou Suleiman Shah. São diversas milícias ligadas aos serviços secretos turcos e controlam a zona do Kurd Dag e a sua capital, Afrin, há quatro anos na sequência da operação “ramo de oliveira”, que consistiu na invasão do exército turco de parte do norte da Síria. Uma ocupação que vem junto com graves ataques aos direitos humanos. De acordo com um relatório do Observatório Sírio de Direitos Humanos, estes grupos são responsáveis por torturas que levaram à morte de pelo 39 pessoas: 11 em 2018, 11 em 2019, oito em 2020 e dez em 2021.

O relatório revela os nomes das vítimas conhecidas, contabiliza os centros de detenção clandestinos e os grupos que os comandam. Em Afrin, haverá uma dezena de prisões deste tipo, nas zonas periféricas de Sharran y Sheikh Hadid, em Rajo três e uma em Bulbul. A organização apresenta 39 casos de mortes sob tortura:

O OSDH responsabiliza não só os autores materiais diretos mas também as autoridades turcas que os controlam por “crimes de guerra e contra a humanidade” e apela à ONU e à União Europeia para pressionar o governo turco, ao mesmo tempo que exigem o julgamento dos responsáveis nos tribunais de justiça internacional.

Numa zona de maioria curda, a acusação que pode valer a tortura até à morte é simplesmente a “colaboração” com as autoridade do Partido da Unidade Democrática, o partido curdo que governou a zona e que o governo turco considera uma organização terrorista. Outros casos registados nem têm explicação política, apenas foram raptos em que se exigiam o pagamento de resgates.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos têm denunciado, a par das violações permanentes de direitos humanos, nomeadamente ataques contra os direitos das mulheres, a existência de uma campanha para alterar a composição destas zonas.

Para além dos curdos, a minoria yazidi tem sido outro dos alvos. O Público espanhol falou com Alí Isso, o editor-chefe e porta-voz da organização não governamental Ezedine, que também tem assinalado sequestros, violações e abusos sexuais contra estas pessoas e que denuncia “violações sistemáticas dos direitos humanos motivadas por razões religiosas e étnicas que as situam ao nível do genocídio”.

Outro dirigente de uma associação humanitária, Kamal Sido, da Associação para os Povos Ameaçados, defende que o objetivo é “a limpeza étnica”, exemplificando com a expulsão de mais de 200.000 curdos e o desaparecimento de milhar de cristãos da região.

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