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Milhares protestam em Lisboa contra a política laboral

Milhares de trabalhadores participaram hoje em Lisboa na manifestação nacional da CGTP contra a política laboral. No final, foi anunciada uma concentração no dia 6 de julho, à frente do Parlamento, “contra as medidas gravosas da revisão da legislação laboral apresentadas pelo Governo”. Mortágua informa que Bloco apresentará a proposta de um leque salarial.
No contexto de enormes desigualdades salariais em Portugal, o Bloco quer “criar um leque salarial, ou seja, impôr um máximo de distância entre o salários dos administradores e dos gestores e a dos trabalhadores”.
No contexto de enormes desigualdades salariais em Portugal, o Bloco quer “criar um leque salarial, ou seja, impôr um máximo de distância entre o salários dos administradores e dos gestores e a dos trabalhadores”.

Milhares de pessoas participaram este sábado na manifestação da CGTP, que convocara o protesto para exigir a valorização do trabalho e dos trabalhadores e o aumento de salários. Sob o lema “Lutar Pelos Direitos, Valorizar Os Trabalhadores!”, os manifestantes chegaram a Lisboa a partir de pontos do país. Segundo a CGTP, foram contratados mais de 150 autocarros e quatro comboios com partida do Porto para transportar trabalhadores até Lisboa.

Os trabalhadores juntaram-se em nome do aumento geral dos salários, da fixação do salário mínimo nos 650 euros em janeiro de 2019, das 35 horas de trabalho semanal para todos, do fim da precariedade, do aumento das pensões e da reposição dos 65 anos como idade legal da reforma.

O anúncio da concentração marcada para dia 6 de julho, dia em que o parlamento irá debater em plenário vários projetos de alteração ao código do trabalho, foi feito por Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, na intervenção que fechou a manifestação realizada este sábado este Lisboa.

“Exortamos todos os trabalhadores e a população em geral a contestar e rejeitas as matérias gravosas da proposta de lei que o governo, o patronato e a direita pretendem impor contra os trabalhadores, o povo e o desenvolvimento económico e social do país”, disse, sublinhando que “este é o momento de intensificar as ações de luta em todos os setores de atividade”.

Presente no protesto, Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, considerou que “há muito para fazer para conquistar novos direitos” e informou que “há várias propostas do Bloco para tentar reverter as imposições da troika no código laboral e proteger os trabalhadores da função pública”. Acrescentou ainda que o Bloco quer “tocar num assunto que tem sido pouco tocado”. “Há em Portugal uma enorme desigualdade salarial: António Mexia ganha num mês aquilo que um trabalhador da sua empresa que ganhe 900 euros tem de trabalhar 6 anos para conseguir ganhar”, afirmou. De acordo com a deputada, em Portugal, as desigualdades salariais são brutais e têm vindo a aumentar. No período da crise, “os gestores aumentaram os seus salários em 40% ao mesmo tempo que trabalhadores com salários baixos estagnaram”.

Neste contexto, o Bloco quer “criar um leque salarial, ou seja, impôr um máximo de distância entre o salários dos administradores e dos gestores e a dos trabalhadores”. Caso contrário, “as empresas deixam de ter acesso a benefícios fiscais, a outro tipo de benefícios criados pelo Estado ou até a contratação pública”, rematou.

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