Alemanha

Milhares nas ruas da Alemanha contra plano anti-imigração, Merz insiste

03 de fevereiro 2025 - 15:32

No fim de semana, manifestações gigantescas rejeitaram a política do candidato a chanceler dos conservadores, acusado de ter quebrado o cordão sanitário face à extrema-direita. Esta segunda-feira, na convenção do partido, o ex-gestor da BlackRock insistiu num “programa de ação imediata para a prosperidade e segurança”.

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manifestação contra a aproximação dos conservadores à AfD em Berlim.
Manifestação contra a aproximação dos conservadores à AfD em Berlim. Foto de HANNIBAL HANSCHKE/EPA/Lusa.

Este fim de semana, milhares de pessoas saíram às ruas na Alemanha em protesto contra o plano anti-imigração promovido por Friedrich Merz, o dirigente da CDU, União Democrata Cristã, e principal favorito às próximas eleições de 23 de fevereiro. A semana passada este plano foi a votos, com o apoio do FDP, partido liberal, da BSW - a Aliança Sahra Wagenknecht, cisão conservadora e com posições pró-russas do Die Linke - e da AfD, de extrema-direita.

O plano acabou por ser rejeitado no parlamento na sexta-feira mas o ex-gestor do fundo de investimento multinacional Blackrock anunciou nesta segunda-feira na Convenção do partido que planeia voltar à carga depois das eleições, apresentando-o como um “programa de ação imediata para a prosperidade e segurança”. Nele se acrescentam algumas medidas económicas de reversão de medidas do atual governo: estabelecer controlos permanentes nas fronteiras alemãs, rejeitar migrantes e prender por “tempo indeterminado criminosos e indivíduos perigosos que estejam sob ordens da Justiça para serem deportados” e interromper o direito de reunificação familiar dos refugiados, segundo explica a Deutsche Welle.

A estratégia de virar o partido para posições próximas da extrema-direita na questão migratória divide a CDU, tendo 12 deputados do seu próprio partido no Bundestag optado por não votar no plano e a ex-chanceler Angela Merkel vindo a público defender a política agora criticada pelo seu sucessor à frente dos conservadores, e deu munições aos partidos da coligação governamental em baixa nas sondagens. Olaf Scholz, atual chefe de governo e candidato do SPD, considerou que o seu principal adversário “apostou e perdeu” neste tema e com isso “quebrou o tabu de que não se deve cooperar com a extrema-direita”.

A quebra do “cordão sanitário”, o acordo tácito que fazia com que os principais partidos não cooperassem de forma alguma com partidos da extrema-direita, está a ser amplamente criticado. As marchas do fim de semana levaram milhares às ruas. No sábado em Hamburgo, 65 mil pessoas, Estugarda, 44 mil, Colónia, 16 mil e Essen, 14 mil, de acordo com as estimativas da ARD. No domingo, em Berlim, foram 160 mil pessoas, segundo a polícia, 200 mil pessoas, segundo a organização do evento.