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Milhares manifestam-se para “parar o golpe” no Reino Unido

Manifestações em dezenas de cidades protestam este sábado em defesa da democracia e contra o encerramento do parlamento britânico proposto pelo primeiro-ministro Boris Johnson.
Manifestação em Londres.
Foto Vickie Flores/Lusa

Dezenas de milhares de pessoas saíram à rua este sábado em Londres e dezenas de outras cidades britânicas para protestarem contra o encerramento do parlamento a partir de meados de setembro e até duas semanas antes do prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia. Para além do cortejo, os manifestantes realizaram várias ações de desobediência pacífica, sentando-se na estrada em vários locais para provocar o corte do trânsito.

“Esta é a nossa democracia e não permitiremos que um primeiro-ministro que não foi eleito consiga fazer este assalto ao poder”, afirmou ao Guardian a coordenadora nacional do coletivo Momentum durante a concentração em frente à residência oficial do primeiro-ministro.

Um membro do governo-sombra trabalhista, John McDonnell, subiu ao palco em Londres epara atacar Boris Johnson, apelidando-o de “ditador”. “Esta é uma luta para proteger a nossa democracia. Sabemos o que é que Johnson está a preparar, ele não é muito subtil, pois não? Ele quer acabar com a nossa democracia para conseguir forçar um Brexit sem acordo”, afirmou McDonnell, lembrando que “nós já derrotámos ditadores no passado e iremos derrotar este ditador”.

Em Glasgow, a concentração juntou milhares de pessoas e contou com a presença de Jeremy Corbyn. “Há manifestações em todo o lado porque as pessoas estão zangadas e indignadas com o que se está a passar”, afirmou o líder trabalhista, referindo-se “a um governo e um primeiro-ministro eleito por 93 mil membros do Partido Conservador que está a tentar sequestrar as necessidades, objetivos e aspirações de 65 milhões de pessoas”.

Também em Glasgow, a deputada nacionalista escocesa Alison Thewliss disse ao Guardian que a reação dos seus eleitores ao encerramento do parlamento britânico não tem precedentes no passado. “Recebi mensagens de pessoas que nunca me tinham escrito, e quando fiz um porta-a-porta esta manhã no meu círculo eleitoral a mensagem era a mesma. Isto é uma gigantesca afronta à democracia. Não se pode fechar o parlamento só porque se pensa que ele não vai concordar connosco”, afirmou a deputada do SNP.

As manifestações contaram também com a presença de dirigentes dos liberais democratas. Em Bristol, o ex-deputado Stephen Williams disse aos manifestantes que a única coisa que interessa a Boris Johnson é “assumir ele próprio o poder e manter-se no poder em nome da sua classe, para que possam ser eles a mandar em nós”, comparando a situação ao regime da Coreia do Norte. “O que Johnson fez foi apagar do calendário boa parte de setembro e boa parte de outubro, para que tenham só uns quatro dias para tomar a decisão mais importante das nossas vidas e a mais importante que aquelas 650 pessoas irão alguma fez tomar”, acrescentou Williams.

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