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Milhares juntam-se no Porto contra a discriminação LGBT

“O Porto não se vende e o orgulho não se rende” foi o lema da marcha que juntou mais de cinco mil pessoas no Porto. Foi a 14ª edição da marcha do Orgulho LGBT+ e a maior de sempre.
Fotografia: Estela Silva/Lusa
Fotografia: Estela Silva/Lusa

A meio da tarde deste sábado, a Praça da República comçeou a encher-se dos manifestantes, que depois seguiram até ao Jardim da Cordoria.

Na linha da frente, ia uma carrinha de caixa aberta com ativistas que seguravam cartazes referentes a pessoas marcantes no âmbito da causa, tais como Gisberta, transexual assassinada há 13 anos, Alcindo Monteiro, espancado até à morte por skinheads, e Marielle Franco, assassinada no ano passado.

O objetivo é continuar a lutar pelos direitos de toda a gente. O lema este ano é 'O Porto não se rende e o orgulho não se vende'. É sublinhar a ideia de não haver orgulho para alguns sem a libertação de todos. É reivindicar políticas de habitação, saúde e educação e também contra a crescente comercialização das lutas LGBT+”, disse Fernando Pimenta, um dos organizadores da marcha, à Lusa.

O ativista de 24 anos contou ainda que o evento foi organizado por “um conjunto de coletivos, associações e partidos com igual peso de voto”, e que “importa sempre” manter este tema na esfera pública, porque é uma questão “não só de civilidade”, mas de “existência política”.

Num artigo de opinião, José Soeiro, deputado do Bloco, afirmou que "a discriminação LGBTfóbica – incluindo agressões – está aí, no quotidiano e muito para além da lei. A extrema-direita cresce e banaliza-se o discurso de ódio contra os refugiados, os migrantes, as minorias e os direitos civis que conquistaram."

Lembrando António Alves Vieira, ator e ativista LGBT, José Soeiro acrescentou que "o António é uma das pessoas a quem a Marcha do Porto deve esse duplo movimento de abertura e de resistência. (...) A ele, que sabia que não é por pôr uma bandeira arco-íris em cima que o racismo é menos racista, que a exploração é menos exploração, que o colonialismo é menos colonial, que a racionalidade do mercado é outra. A ele, a quem não interessavam as cores de que as correntes se vestiam ou quem aprisionavam – mas sim se eram correntes."

Esta sexta-feira, foi ainda apresentado o livro “As Estrelas Mexem-se”, com poemas de António Alves Vieira. Ativista destacado do movimento LGBT+ em Portugal, era membro das Panteras Rosa e impulsionador da Marcha do Orgulho do Porto, tendo participado nela desde o inicio. Fez parte da organização do Mayday no Porto, do Contrabando - Espaço Associativo, sendo um dinamizador cultural e um militante político empenhado e comprometido.

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