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Milhares de romenos nas ruas contra desflorestamento e assassinatos de guardas florestais

Liviu Pop era um guarda florestal que investigava atividades ilegais de desfloramento na Roménia. Foi o segundo a ser assassinado no espaço de dois meses. Contra a violência e o desfloramento, milhares de romenos manifestaram-se este domingo.
Manifestação contra o desflorestamento. Bucareste, novembro de 2019.
Manifestação contra o desflorestamento. Bucareste, novembro de 2019. Foto de @camilstoenescu/Twitter.

Os números apurados pela Greenpeace são alarmantes: a cada hora três hectares de floresta virgem desaparecem na Roménia. Foi por isso que as organizações ambientais convocaram a manifestação do passado domingo em Bucareste, à qual acorreram cerca de quatro mil manifestantes. Noutras cidades do país também houve mobilizações.

Abetos, faias e sicómoros, parte decisiva de um ecossistema que alberga ursos, lobos, linces entre outros animais, estão a ser devastados a um ritmo impressionante em que aos abates legais se somam inúmeros ilegais que constituem uma atividade altamente lucrativa. E manchada de sangue.

A União de Sindicatos Silva, que também participou no protesto, denuncia os ataques a mais de 650 trabalhadores florestais. Seis foram assassinados nos últimos anos.

Os últimos dois foram-no em apenas dois meses. A 12 de setembro, Raducu Gorcioaia apareceu morto no seu carro numa floresta em Iasi com feridas na cabeça causadas por um machado. A 16 de outubro em Maramures, foi Liviu Pavel Pop que foi encontrado, morto por uma arma de caça depois de ter ido investigar uma denuncia de abate ilegal de árvores.

A violência atinge também os membros de associações ecologistas presentes no terreno. Gabriel Paun da Agent Green conta à BBC que “a máfia da floresta tentou matar-me várias vezes”. Há quatro anos partiram-lhe a cabeça e várias costelas junto ao parque nacional de Retezat. Conseguiu escapar. Tal como fugiu quando, no dia a seguir ao assassinato de Liviu Pop, foi perseguido quando investigava uma grande empresa que remove “muito mais madeira do que é legal cortar”, acusa. “Mas a questão aqui é porque é que o governo permite que uma floresta antiga, formada depois da última idade do gelo, seja completamente removida”.

Os ambientalistas não se conformam. Três Organizações Não Governamentais, Agent Green, ClientEarth e EuroNatur, apresentaram queixa à Comissão Europeia o mês passado contra o governo romeno, acusado as suas práticas extrativas de contrariar as leis europeias de proteção da natureza.

Este domingo foi a vez de um protesto menos formal. Ao som de tambores, cantando “a nossa floresta não é a vossa mercadoria” e “ladrões” e com faixas e cartazes que diziam “emergência climática” e “salvem a floresta”, de acordo com a Reuters e a BBC, os manifestantes que se juntaram este domingo em Bucareste dirigiram-se até ao Ministério da água e da floresta. Pretendem investigações criminais efetivas e legislação menos permissiva.

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